O Ministério da Saúde começou a distribuir nesta semana nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer no SUS. A iniciativa faz parte da maior incorporação tecnológica já feita na oncologia da rede pública e vai garantir o atendimento de 100% da demanda por esses tratamentos.
A expectativa do governo é chegar a 23 novos remédios até dezembro, o que representa um aumento de 35% nas opções de tratamento disponíveis para pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide, intestino e linfomas, entre outros. Muitos desses remédios eram aguardados há mais de dez anos. Já estavam incorporados ao SUS no papel, mas nunca chegaram de fato aos pacientes. Para resolver o gargalo, o Ministério criou em 2025 o programa “Agora Tem Especialistas”, que deu origem à Assistência Farmacêutica Oncológica, a AF-Onco, responsável por definir a logística de compra e distribuição.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, o objetivo é colocar o paciente no centro do cuidado, com rede qualificada, diagnóstico rápido e tratamento moderno no tempo certo. Para viabilizar os 23 medicamentos, o governo vai investir R$ 4 bilhões por ano.
Dez medicamentos terão compra centralizada e negociação direta feita pelo Ministério. Outros nove serão adquiridos pelos estados por meio de ata de preço nacional, e quatro terão o custeio ampliado nos serviços habilitados.
Quem será beneficiado: A primeira etapa, com os nove medicamentos, contempla 13 indicações diferentes e deve beneficiar mais de 116 mil pessoas por ano. O investimento só nesta fase é de R$ 155,4 milhões anuais. A distribuição começa por 20 centros de tratamento espalhados em 17 estados de todas as regiões – SP, PR, BA, CE, PE, PI, PA, AM, RJ, PB, DF, MG, GO, RO, RS, TO e SE – com equipes capacitadas e sistema mais digital e integrado. Até o fim do ano, a oferta será expandida para todos os centros de oncologia do país.
Lista completa dos nove novos medicamentos:
Trastuzumabe: câncer de estômago ou junção esofagogástrica
Abemaciclibe: câncer de mama precoce e avançado/metastático
Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos
Pazopanibe: câncer de rim de células claras metastático
Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e linfomas folicular e difuso
Abiraterona: câncer de próstata resistente e sensível à hormonioterapia
Gefitinibe: câncer de pulmão não pequenas células em primeira linha
TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo
Sunitinibe: câncer de rim metastático e GIST avançado após falha ao imatinibe
Outros avanços na rede de câncer:
Além dos remédios, o Ministério anunciou outras medidas:
– Rastreamento de câncer de intestino: o SUS vai distribuir 400 mil testes imunoquímicos fecais, o FIT, a partir de novembro nas capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes. O teste, parecido com um teste de gravidez, detecta sangue oculto nas fezes com até 92% de precisão e vai selecionar quem precisa fazer colonoscopia. Será voltado para pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas.
– Diagnóstico mais rápido: a antiga Tabela SUS será substituída pela Nova Tabela Agora Tem Especialistas, com pagamentos até quatro vezes maiores. Procedimentos venosos terão repasse 4x maior e orais, o dobro. Biópsias e anatomia patológica também serão reajustadas. O Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, em parceria com o A.C.Camargo, já reduziu de 6 meses para 8 dias o tempo de laudo em alguns estados.
– Iodoterapia e cirurgias: que é o tratamento para câncer de tireoide, vai quase triplicar: de 5 milhões e 200 mil para 18 milhões de reais por ano. As cirurgias de pulmão menos invasivas, feitas por vídeo, também entram no custeio do SUS, com 46 milhões por ano. O governo ainda vai pagar por exames modernos, como sequenciamento genético. E para o câncer de colo do útero, além do teste de DNA-HPV, serão liberados mais 2 milhões e 700 mil reais para 131 mil testes de citologia.
– Câncer infantil: será criado um grupo de trabalho para a primeira linha de cuidado do retinoblastoma, tumor de retina que afeta crianças de até 5 anos. O sinal de alerta é o reflexo branco na pupila. Com diagnóstico precoce, a sobrevida passa de 90%.
– Pronon: o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica, que concede incentivo fiscal para projetos de prevenção, tratamento e pesquisa, foi prorrogado até 2031. O edital atual está aberto até 26 de outubro e já habilitou mais de 2.500 entidades em oito anos.