A trajetória do dramaturgo, escritor, jornalista e advogado paraense Levi Hall de Moura ganha uma nova leitura artística com o projeto “Memórias de um eterno combatente: um solo sobre vida e obras de Levi Hall de Moura”. Selecionada pelo Edital de Ocupação Pública da Sala de Dança Augusto Rodrigues 2026, da Fundação Cultural do Estado do Pará (FCP), a iniciativa busca apresentar ao público a história e a produção intelectual de um dos importantes nomes da cultura paraense.
Segundo a proponente do projeto, a atriz, dramaturga e produtora Yasmin Ramos, o trabalho nasceu durante as pesquisas sobre a vida e a obra de Levi Hall de Moura e se transformou em um espetáculo para aproximar o público da trajetória do dramaturgo. “Eu não queria simplesmente contar essa história em uma biografia. Queria fazer isso de uma forma artística. O solo nasce dessa vontade de tirar o Levi desse certo silenciamento que aconteceu ao longo do tempo e fazer com que a história dele chegasse ao público por meio do teatro.”
Levi Hall de Moura teve uma trajetória marcada pela atuação como advogado, juiz, jornalista e dramaturgo. Assumidamente comunista, foi perseguido durante os regimes ditatoriais no Brasil e aposentado compulsoriamente durante a ditadura militar. Além da atuação na magistratura, deixou obras literárias e teatrais que retratam questões sociais, políticas e a realidade paraense.
De acordo com Yasmin, revisitar essa trajetória também representa uma forma de preservar a memória cultural do estado e valorizar uma produção literária que ainda é pouco conhecida. “A contribuição dele para a literatura e para o teatro paraense é muito grande. As dramaturgias retratam um período em que a liberdade foi cerceada e mostram a realidade de comunidades simples do Pará. É uma obra muito importante, mas que ainda é pouco valorizada.”
Além do espetáculo, o projeto oferece uma oficina gratuita de escrita dramatúrgica, inspirada no mesmo processo criativo utilizado na construção do solo. A atividade convida os participantes a transformar memórias pessoais e objetos que fazem parte de suas histórias em cenas e textos teatrais.
Para a produtora, a proposta é estimular novos processos criativos. “A ideia é compartilhar esse processo de criação para que os participantes também possam escrever suas próprias dramaturgias. Eles vão experimentar jogos teatrais, trabalhar com objetos afetivos e sair da oficina com um material inicial para desenvolver seus próprios projetos.”
O solo “O Eterno Combatente” será apresentado no dia 28 de agosto, às 19h30, na Sala de Dança Augusto Rodrigues, na Casa das Artes, em Belém. Já a oficina de escrita dramatúrgica acontece no dia 1º de setembro, das 14h às 18h, também na Casa das Artes. A participação é gratuita, sem necessidade de inscrição prévia.
Mais informações estão disponíveis no Instagram @oeternocombatente.
Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro