A presença da Amazônia e do Brasil em espaços internacionais tem se tornado cada vez maior nos últimos anos. Exemplo disso é a participação de produtoras paraenses no Festival de Cannes, um dos eventos do cinema mais importantes e prestigiados mundialmente.
Entre os nomes que estão representando o audiovisual amazônico na edição desse ano, que ocorre até o dia 23 de maio, está a produtora Monique Sobral de Boutteville, da Encantados Produções – que desenvolve projetos alinhados às transformações sociais, ambientais e culturais do Norte do país.
Monique está apresentando o projeto “Sossego”, filme dirigido por ela, que firmou uma coprodução internacional com o produtor francês Nicolas Le Curieux. Além disso, o longa reúne parcerias nacionais com a Cunha Porã, do Tocantins, e a Brisa Filmes, do Rio de Janeiro.
A produtora também representa em Cannes a obra “Temperos de Aimée”, dirigida por Zienhe Castro, cineasta e fundadora do Festival Amazônia FiDoc. A parceria estabelecida entre as duas simboliza uma rede de colaboração voltada à valorização de narrativas amazônicas no cenário audiovisual internacional.
E não para por aí. Outro projeto que leva a potência criativa do Norte até a França é a série documental “Morte das Águas”, elaborada em parceria com a produtora e cineasta Eva Pereira, do Tocantins. A obra retrata temas relacionados aos territórios amazônicos, disputas ambientais e os impactos sobre populações tradicionais.
Esse movimento que tem reposicionado a produção audiovisual amazônica em escala global é crescente, tornando-se responsável pelo fortalecimento da autonomia narrativa da região. Além disso, a construção de parcerias com países europeus amplia a capacidade de financiamento de obras produzidas na Amazônia.
Diante desses avanços, que têm colocado a região e o Brasil no centro de novos olhares ao redor do mundo, é possível assegurar a viabilidade de projetos mais desenvolvidos tecnicamente, sem deixar de lado identidades culturais locais.
Por Isabella Cordeiro