Dados divulgados pelo Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), em colaboração com a Casa Fluminense e o Observatório das Baixadas, apontam os impactos da crise climática na Região Metropolitana de Belém (RMB). A pesquisa inédita evidencia que raça, território e acesso à infraestrutura determinam quem está mais exposto aos riscos do clima.
O Painel Climático da RMB indica que 68,5% da população vive em áreas com temperaturas acima de 30º. O relatório ainda destaca um recorte populacional que experimenta diariamente condições térmicas extremas, associadas à baixa arborização, à alta impermeabilização urbana e ao déficit de infraestrutura.
Dentro do grupo mais afetado pelo calor extremo: 1,2 milhões são pessoas negras, representando 75,5% da população que vive em áreas acima de 30º e mulheres negras correspondem a 39,27% de habitantes expostos a altas temperaturas – uma vez que 283.747 lares de toda a RMB são chefiados por elas.
Representando perigos à população, a intensidade do calor agrava doenças cardiovasculares e respiratórias, aumenta crises de asma e o risco de insolação, impacta o rendimento escolar das crianças, além de ampliar o estresse térmico em idosos e sobrecarregar a rotina de mulheres cuidadoras.
Áreas mais quentes costumam ser aquelas com maior densidade construída, menos espaços verdes, menor ventilação natural e grandes índices de precariedade habitacional – características profundamente apontadas nas periferias, favelas e comunidades urbanas da Região Metropolitana de Belém.
O Painel Climático ainda revela que mais da metade dos residentes da capital (51%) está em locais vulneráveis a inundações. Pessoas negras também são as mais submetidas a essas condições, representando 75,13% da população exposta, e domicílios liderados por mulheres negras são os mais atingidos, o equivalente a 69,35%.
Outro grupo que sofre com os efeitos das mudanças climáticas é o das crianças que vivem na Região Metropolitana de Belém. Dados mostram que, em Belém, 18,8% da população infantil reside em localizações sujeitas à inundação. Desta parcela, mais de 89 mil crianças são negras, evidenciando 71,43% da infância que está exposta ao perigo hídrico.
Segundo o Centro Brasileiro de Justiça Climática, o relatório é essencial para a criação de políticas públicas, investimentos e projetos capazes de atender às demandas da Amazônia Urbana. Sendo assim, funciona como uma ferramenta estratégica que aponta desigualdades, apoia decisões e fortalece a justiça climática na RMB, divulgando dados qualificados e uma leitura territorial que respeita e explicita a complexidade da região.
O Painel Climático da Região Metropolitana de Belém pode ser consultado na íntegra aqui.
Por Isabella Cordeiro