A forte presença do turismo rural ecológico na Ilha do Marajó, no Pará, é exemplo de como a relação entre a pecuária tradicional e a conservação da paisagem se tornou uma combinação vantajosa e indispensável.
O diferencial do modelo consiste na criação de búfalos em áreas naturalmente adaptadas à presença da água, ao contrário dos sistemas pecuários tradicionais que demandam grandes desmatamentos e intervenções agressivas no solo. Nesse cenário, os campos nativos permanecem intactos, sem a necessidade de alterações profundas no ambiente amazônico.
A harmonia biológica permite a união entre conservação ambiental e a autonomia das comunidades locais. Ao atrair turistas pelas vivências ligadas à natureza, como os percursos guiados pelos campos alagados, a observação de aves e o contato com a cultura dos vaqueiros, o setor reduz a dependência exclusiva da pecuária tradicional.
A iniciativa representa um grande passo da bioeconomia na Amazônia. Famílias marajoaras passam ter novas fontes de renda e são motivadas a valorizar patrimônios gastronômicos artesanais – como o famoso queijo do Marajó, iguaria produzida com o leite de búfala da região há mais de 200 anos.
O ecoturismo comprova que a prática pode ser benéfica para a geração de riquezas, ainda que esteja aliada à preservação das características originais do território, uma vez que as paisagens naturais, o cenário alagado e o respeito aos ciclos da água foram transformados no principal atrativo econômico da ilha.
A convivência com os grandes búfalos, os saberes das comunidades locais e as experiências regionais tornaram-se elementos que estimulam o equilíbrio entre a atividade econômica e a sustentabilidade. A partir desse movimento, o combate contra modelos predatórios de exploração da terra é fortalecido e as riquezas amazônicas seguem protegidas.
Por Isabella Cordeiro