O Programa Agora Tem Especialistas realizará mais de 13 mil atendimentos em territórios indígenas durante o mês de junho. A iniciativa contempla comunidades localizadas nos estados do Pará, Ceará, Pernambuco e Amapá, com a oferta de consultas, exames e cirurgias.
A ação integra as estratégias do Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso da população indígena a serviços especializados. Desde agosto de 2025, quando a iniciativa foi criada, já foram promovidos 14 mutirões em diferentes regiões do Brasil, levando atendimento médico a comunidades que vivem em áreas mais distantes.
Na região Norte, parte dos atendimentos será concentrada na Casa de Saúde Indígena (Casai) de Macapá, que atende populações indígenas do Amapá e do norte do Pará. A unidade atenderá em áreas como ginecologia e obstetrícia, pediatria, cardiologia, anestesiologia e ultrassonografia. Equipes de saúde também atuarão no território indígena Tumucumaque, localizado entre os dois estados.
A ampliação dessas ações acompanha um movimento internacional de fortalecimento das políticas voltadas à saúde indígena. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde aprovou uma resolução proposta pelo Brasil que elevou a saúde dos povos indígenas ao nível de prioridade global. A medida prevê a elaboração de estratégias voltadas à ampliação do acesso aos serviços de saúde e ao fortalecimento de políticas públicas específicas para essas populações.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), existem mais de 476 milhões de indígenas distribuídos em cerca de 90 países, representando pouco mais de 6% da população mundial. Apesar disso, a entidade aponta que essas populações enfrentam maiores índices de pobreza e apresentam expectativa de vida até 20 anos menor quando comparadas à população não indígena.
No Brasil, vivem cerca de 1,5 milhão de indígenas pertencentes a 305 povos diferentes. O aumento de assistência em saúde busca enfrentar desafios históricos relacionados ao acesso aos serviços médicos, respeitando as especificidades culturais e as formas tradicionais de cuidado presentes nos territórios indígenas.
Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro