A cultura amazônica ganhou espaço no universo dos quadrinhos com “A Jornada de Ysai”, obra do ilustrador paraense Franklin Fernandes. Inspirado em elementos do folclore, das comunidades ribeirinhas e das paisagens da região Norte, o mangá acompanha a história de uma jovem marcada por uma suposta maldição e busca apresentar a identidade amazônica por meio de uma narrativa de fantasia.
Segundo Franklin, a ideia surgiu a partir da vontade de ver a cultura amazônica representada nas produções que consumia. “Eu sou muito fã de mangás, animes e videogames. Se obras como Naruto utilizam elementos do folclore japonês e fazem essa cultura ser conhecida no mundo todo, eu pensei que também poderia fazer algo parecido com a nossa cultura, que é igualmente ou até mais rica.”
O processo de criação também envolveu uma pesquisa sobre a realidade das comunidades ribeirinhas. O autor buscou inspiração em documentários, reportagens, cidades do Marajó, palafitas da região Norte e nas fotografias do artista visual Luiz Braga para construir os cenários e a ambientação da obra.
De acordo com o ilustrador, um dos maiores desafios é fazer com que um quadrinho independente alcance novos leitores. “Hoje em dia os quadrinhos já ocupam um nicho muito pequeno. Um quadrinho sobre temas amazônicos é um nicho menor ainda. O grande desafio é conseguir alcançar o público e tornar a obra atrativa para novos leitores.”
Além de valorizar a cultura regional, o mangá propõe uma reflexão sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente, utilizando a fantasia para abordar questões que fazem parte da realidade da Amazônia.
Para o artista, a mensagem da obra vai além do entretenimento e convida o leitor a refletir sobre a preservação ambiental. “Eu realmente espero que, com ‘A Jornada de Ysai’, o leitor perceba que cuidar da natureza é cuidar de si mesmo. Os impactos ambientais já fazem parte do nosso presente e tendem a se agravar.”
Os capítulos de “A Jornada de Ysai” estão disponíveis gratuitamente nas plataformas Funktoon, Fliptru e KariKari. Segundo o autor, a prioridade é concluir a história no formato digital e, futuramente, criar uma edição impressa.
Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro