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Um estudo publicado na revista científica britânica Nature revela que a reprodução da maior parte das árvores amazônicas depende diretamente de animais como abelhas, aves, mamíferos e até formigas. O artigo reúne informações sobre espécies que representam 94% dos indivíduos estimados na floresta e evidencia a importância dessas interações para a manutenção do maior bioma tropical do planeta: a Amazônia.

Foram analisadas 5.201 espécies, quase metade de todas que são conhecidas na região. Embora grande parcela das espécies raras esteja de fora da análise, os pesquisadores explicam que as árvores mais abundantes permitem compreender o funcionamento das principais redes ecológicas do bioma.

Ao combinar dados sobre flores, frutos, sementes e diferentes formas de dispersão – movimento que os bichos realizam quando saem do lugar onde nasceram para procurar novas áreas –, os cientistas descobriram que os animais estão no centro da manutenção do ecossistema amazônico.

Quase 80% das espécies observadas dependem deles para transportar pólen entre as flores e espalhar sementes pela floresta. O artigo também mostra que apenas cerca de 1% de árvores estudadas realizam essas duas etapas reprodutivas sem o envolvimento animal. Ou seja, 99% delas precisa desses seres para a sua sobrevivência.

O trabalho ainda identificou grupos de árvores que abrangem uma parcela significativa de interações entre plantas e animais na Amazônia, como os gêneros Protium, Eschweilera, Pouteria, Virola, Ocotea e Inga, sendo este último responsável por alimentar aves, mamíferos e insetos por meio dos frutos, e abelhas, morcegos, mariposas e beija-flores por meio das flores.

No entanto, para os estudiosos, os resultados da pesquisa também apontam para um dado alarmante: o processo de perda de animais causado pela caça, desmatamento, fragmentação das florestas e pelas mudanças climáticas emergentes – a chamada defaunação.

As árvores têm mais dificuldades de reprodução e colonização de novas áreas sem a presença de polinizadores e dispersores. Diante desse cenário, os impactos não afetam somente às plantas, mas a geração de frutos consumidos por comunidades tradicionais, como açaí e castanha-do-pará, é igualmente comprometida.

O artigo destaca o papel dessa dinâmica interativa para manter a floresta funcionando, o que reafirma a importância da conservação das espécies e do meio ambiente para a manutenção desse sistema.

Por Isabella Cordeiro