Da castanha ao açaí, do cacau aos biocosméticos, dezenas de cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade amazônica estão sendo analisadas em um amplo projeto que pretende transformar o potencial econômico da floresta em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável para os estados que compõem a Amazônia Legal.
Conduzida pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em parceria com a Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a iniciativa está construindo uma estratégia para fortalecer os Arranjos Produtivos Locais (APLs) da sociobiodiversidade nos nove estados integrantes da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantis e Maranhão.
A proposta será apresentada nesta quinta-feira, 11 de junho, às 10h, no Espaço Condel, na sede da Sudam, em Belém. O trabalho é executado pelo consórcio formado pela Cluster Consulting, pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA) e pelo Instituto Centro de Vida (ICV), reunindo especialistas em APLs, desenvolvimento regional, bioeconomia e políticas públicas.
A proposta é, a partir da atualização dos estudos sobre Arranjos Produtivos Locais, identificar quais são os APLs que atualmente, e no futuro, possuem maior potencial econômico, ambiental e social, compreender os desafios estruturais e criar mecanismos que ampliem sua competitividade, capacidade de inovação e geração de renda para comunidades, agricultores familiares, cooperativas e empreendedores locais.
A iniciativa ocorre em um momento em que a Amazônia ganha protagonismo nos debates globais sobre clima, conservação ambiental e economia de baixo carbono. Para os coordenadores do projeto, a valorização da sociobiodiversidade representa uma das principais oportunidades para promover crescimento econômico alinhado à proteção dos recursos naturais.
“A Amazônia possui ativos econômicos únicos, construídos a partir da biodiversidade e do conhecimento acumulado por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Nosso objetivo é identificar os arranjos produtivos com maior relevância e potencial socioeconômico e ambiental e estruturar estratégias capazes de fortalecer sua governança, ampliar sua competitividade e gerar benefícios duradouros para os territórios”, esclarece Carlos Tarrasón, diretor da Cluster Consulting.
O projeto já concluiu uma etapa de diagnóstico que envolveu análise documental, levantamento de dados econômicos e produtivos e entrevistas com atores estratégicos em toda a Amazônia Legal. A partir desse trabalho, foram identificados gargalos recorrentes que limitam o desenvolvimento dos APLs, como dificuldades logísticas, falta de governança, acesso restrito a mercados, escassez de assistência técnica continuada, limitações ao acesso a crédito e financiamento, desafios regulatórios e baixa conectividade digital.
Segundo Marcelo Andrade, consultor da Cluster Consulting, o fortalecimento dos APLs exige uma visão integrada de desenvolvimento. “Os desafios da Amazônia não podem ser enfrentados de forma isolada. O que observamos é a necessidade de conectar produtores, organizações locais, instituições de pesquisa, financiadores e governos em torno de estratégias compartilhadas. O fortalecimento da governança territorial em APLs é um dos pilares para que essas cadeias produtivas avancem em escala, agregação de valor e inserção em mercados mais sofisticados”, destaca.
Potencial socioeconômico
Entre os arranjos identificados estão cadeias produtivas já consolidadas, como o açaí no Pará, o cacau da Transamazônica, a castanha-da-amazônia, o mel, a pesca artesanal, os biocosméticos e a aquicultura, além de outras diversificações produtivas para a bioeconomia regional.
“Será fundamental mapear não apenas as potencialidades, mas também os riscos associados aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) diante dos impactos da emergência climática. Essa análise deve considerar a necessidade de adaptação dos métodos de produção, a ampliação de investimentos em tecnologia e inovação, bem como a adoção de medidas que garantam a proteção e a inclusão das comunidades mais vulneráveis, fortalecendo a resiliência socioeconômica e ambiental da região”, explica a coordenadora do escritório do PNUD na Amazônia, Kassya Fernandes.
Nos próximos meses, o projeto avançará para a construção da estratégia de fomento, definindo prioridades, metas, indicadores e instrumentos de apoio aos arranjos produtivos selecionados. Também serão estruturadas propostas de governança, monitoramento e financiamento, buscando garantir que as ações gerem resultados de longo prazo.
Uma consulta pública aberta a representantes do setor produtivo, organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa, governos e demais interessados permitirá validar os diagnósticos realizados e incorporar contribuições dos diferentes territórios amazônicos.
Para o superintendente da Sudam, Paulo Rocha, o fortalecimento dos Arranjos Produtivos Locais representa uma estratégia fundamental para promover um modelo de desenvolvimento que valorize as vocações econômicas da Amazônia e gere oportunidades nos territórios.
“Desde o início da nossa gestão, em 2023, fizemos questão de abrir a Sudam, colocá-la à disposição para agregar a todos os parceiros estratégicos, pesquisadores, produtores rurais e às diversas esferas de governo. Temos interesse em instituir um desenvolvimento sustentável que seja pensado de baixo para cima, pois vimos que a concepção de desenvolver a partir de grandes projetos, ou seja, de cima para baixo, acentuou desigualdades regionais e sociais. Por isso, é importante debater e conhecer os Arranjos Produtivos Locais (APLs) da Amazônia”, afirma.
Segundo Paulo Rocha, definir uma estratégia de incentivo aos APLs está alinhado à missão institucional da Sudam de promover o desenvolvimento includente e sustentável da Amazônia Legal.
“Os APLs integram um conjunto de potencialidades regionais que demandam ações específicas para impulsionar o desenvolvimento produtivo, socioeconômico, ambiental e tecnológico. A parceria entre Sudam e PNUD é estratégica justamente porque mobiliza diferentes instituições e setores em torno de um objetivo comum: fortalecer a governança local, ampliar capacidades e contribuir para a superação de vulnerabilidades tecnológicas e sociais presentes na região”, destaca.
O projeto de construção da estratégia para o fomento dos APLs, com seus objetivos e etapas, assim como os primeiros resultados do diagnóstico, será apresentado em evento promovido pela Sudam na próxima quinta-feira, 11 de junho, das 10h às 12h, na sede da autarquia, em Belém, no Pará.
O encontro reunirá, presencialmente e de forma remota, representantes do setor público, privado, acadêmico, sociedade civil e instituições de apoio ao desenvolvimento, além de representantes dos APLs mapeados, organismos internacionais, especialistas e lideranças regionais.
SERVIÇO: A apresentação da Estratégia para o Fortalecimento dos APLs será nesta quinta-feira, 11 de junho, das 10h às 12h, no espaço Condel, no primeiro andar do prédio da Sudam, que fica na Tv. Antônio Baena, 1113, bairro do Marco, em Belém.
Com informações da assessoria de imprensa