A Amazônia registrou queda nos avisos de desmatamento no primeiro semestre de 2026, apresentando o menor índice de alertas do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) em uma década, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Entre os meses de janeiro e junho, foram 1.295 km² de vegetação nativa sob alerta no bioma, o valor mais baixo desde o início da série histórica do sistema, em 2016. Em comparação com o mesmo período de 2025, a redução foi de 38%.
Os avisos do Deter indicam locais onde imagens de satélite identificaram mudanças compatíveis com a retirada da vegetação e ajudam a conduzir ações de fiscalização, mas não representam a taxa oficial de desmatamento, que é medida por outro sistema do Inpe, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).
Embora a quantidade de avisos tenha diminuído e fatores como a retomada de políticas públicas, restrições financeiras a desmatadores e maior responsabilização por crimes ambientais tenham contribuído para essa redução, o alerta permanece ligado.
De acordo com o MapBiomas, o Brasil segue entre os países que mais perdem vegetação nativa no mundo, especialmente pela expansão da agropecuária. Em 2025, a Amazônia e o Cerrado responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país. No Pará, o garimpo ilegal concentrado na região provoca 99% da supressão vegetativa.
Com a aproximação do El Niño, fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial, a preocupação aumenta para o segundo semestre, considerando os perigos associados à seca intensa, queimadas e incêndios florestais – especialmente na Amazônia, Cerrado e Pantanal.
A expectativa é que os alertas permaneçam orientando o desenvolvimento de medidas governamentais de proteção florestal, impulsionando a fiscalização e a punição de crimes ambientais em todo o território nacional.
Por Isabella Cordeiro