Foto: Divulgação/Agranus

O açaí faz parte da alimentação e da cultura paraense. Mas, quando o fruto está contaminado pelo parasita causador da doença de Chagas, seu consumo pode transmitir a infecção. Por isso, os cuidados durante o processamento são fundamentais para prevenir a contaminação. Mas o consumo de alimentos contaminados não é a única forma de transmissão da doença de Chagas. Quem explica as outras formas é Fagner Carvalho, médico assistente e coordenador do Serviço de Doença de Chagas de Abaetetuba.

“Pode acontecer quando a espécie de barbeiro infectada entra em contato com uma ferida, ou na pele, ou até mesmo nos olhos ou boca. A picada por si só não transmite. É preciso que tenha o contato do local. Também pode haver transmissão de mãe para o bebê, de transfusão sanguínea, transplante de órgão, acidente com materiais contaminados com a pessoa que tem doença de Chagas, em alta parasitemia. Existem várias formas de transmissão”, destaca.

Os sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, fraqueza e mal-estar. Em alguns casos, porém, a doença pode permanecer sem apresentar sintomas por anos. Com o tempo, também pode causar complicações, principalmente no coração e no sistema digestivo. O médico explica quais são os sintomas e o que pode acontecer quando a doença chega à fase crônica.

“Muitas das vezes, a gente entra em contato com um parasita e o nosso corpo tem um sistema imunológico competente, acaba que aquela doença não vai ter tantos sintomas de febre, a pessoa passa por aquilo despercebido. Então, depois de algum tempo, começam os sintomas cardíacos. A fase crônica é a fase em que a infecção permanece ativa e vai começar a aparecer lá depois de alguns anos alguns sintomas.

Então, a pessoa pode passar anos e décadas sem sentir nada e nem por isso quer dizer que ela não está infectada. Então, algumas pessoas desenvolvem problemas cardíacos ou no aparelho digestivo e isso faz com que a gente tenha que entender de fato a epidemiologia, o território, a residência da pessoa, para que nós consigamos fazer o raciocínio de entender se aquela pessoa está com doença de Chagas, porque ela não vai ter tantos sintomas nos anos iniciais”, afirma.

O açaí continua sendo parte importante da alimentação e da cultura paraense. O cuidado está no processamento adequado do fruto, que ajuda a prevenir a contaminação sem criar medo desnecessário em relação ao consumo.

Bianca Souza, para o Rádiojornal 30 Minutos.