O avanço da Inteligência Artificial (IA) tem conquistado, cada vez mais, espaço em plataformas digitais. Setores privados utilizam o recurso para a criação de personas similares a pessoas reais. Embora seja prático para as empresas, o público-alvo dessas publicidades deve ter atenção para não cair em golpes virtuais.
Não é difícil encontrar propagandas na internet com uso de IA. Afinal, essa ferramenta otimiza o tempo e diminui o custo publicitário. O setor de e-commerce é um dos que mais usa a tecnologia, seja para a criação de campanhas ou interagir nas redes sociais. De acordo com Diego Abreu, cientista da computação e professor da UNAMA – Universidade da Amazônia, anúncios feitos com IA não significam fraudes, mas é fundamental o indivíduo avaliar se o anunciante possui canais oficiais e legítimos.
“Muitas empresas já utilizam a IA para reduzir custos de produção, criar campanhas mais rápidas e personalizar publicidade em larga escala. O problema surge quando essa tecnologia é usada de forma enganosa, simulando pessoas reais, criando falsas recomendações ou manipulando a percepção do público. Por isso, o ideal é verificar se o anúncio está vinculado a contas verificadas antes de clicar em qualquer link de venda”, alerta.
A internet é o espaço ideal para criar metahuman, nomeação dada a personagens digitais que parecem seres humanos. Além disso, a Inteligência Artificial possui outras ferramentas que dão naturalidade para essas criações, como geração de vídeo, voz sintética e gesticulações reais. “Esse tipo de anúncio está presente em propagandas de TVs e streamings, mas a credibilidade nesses meios de comunicação é criteriosa. Essa é a maior dificuldade nas redes sociais, pois nem tudo é real e a veracidade é um desafio”, explica Diego.
Para o cientista da computação, a Inteligência Artificial é uma inovação estrategicamente boa para o mercado digital. No entanto, a tecnologia facilitou a propagação de golpes virtuais, como anúncios falsos, clonagem de voz e simulação de imagens e vídeos. “Atualmente, já existem campanhas automatizadas capazes de criar milhares de anúncios personalizados em pouco tempo, explorando confiança emocional, promoções boas demais e perfis falsos extremamente convincentes. Além do prejuízo econômico, existem riscos relacionados à privacidade, ao vazamento de informações pessoais, à manipulação psicológica e ao aumento de desinformação”.
Atualmente, o Brasil não possui leis que estipulam regras para o uso de Inteligência Artificial em publicidades. Por outro lado, o especialista Diego Abreu acrescenta importantes avanços que o país teve na área da tecnologia. “O debate regulatório cresceu bastante e projetos de lei já foram apresentados. Outro ponto importante é a proposta de atualização do Código de Defesa e do Consumidor, de modo que estabeleça diretrizes de transparência e combate à publicidade enganosa gerada por IA”, conclui.
Por Quezia Dias/Ascom UNAMA