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Entre as páginas de um romance, os versus de um poema ou as histórias que atravessam gerações, os livros revelam diferentes realidades e ajudam a compreender o mundo. No dia 29 de outubro, se é celebrado o Dia Nacional do Livro, a data se torna uma oportunidade para valorizar a leitura e conhecer obras que ajudam a contar a histórias. No Pará, essa experiência também passa pelos rios, pelas paisagens amazônicas, pelos costumes populares e pelas vozes de escritores que transformam a vivência regional em literatura.

A origem do Dia Nacional do Livro está ligada à história da Biblioteca Nacional, uma das instituições culturais mais importantes do país. Em 29 de outubro de 1810, um decreto oficializou a instalação da Real Biblioteca no Rio de Janeiro, durante o período em que a corte portuguesa estava no Brasil. Seu acervo teve origem na biblioteca real portuguesa, transferida para o território brasileiro no contexto da chegada da família real, em 1808. A coleção reunia livros, manuscritos, mapas, gravuras, moedas e outros documentos históricos.

Inicialmente, o acesso à biblioteca era restrito. Em 1814, entretanto, a instituição passou a permitir consultas pelo público em geral, ampliando as possibilidades de acesso ao conhecimento. Ao longo dos anos, o acervo cresceu e a instituição consolidou seu papel na preservação do patrimônio bibliográfico brasileiro.

Mais de um século depois, em 13 de dezembro de 1966, a Lei nº 5.191 instituiu oficialmente o Dia Nacional do Livro, estabelecendo o dia 29 de outubro como a data anual da comemoração. A escolha foi uma homenagem à fundação da Real Biblioteca, marco histórico que deu origem à atual Biblioteca Nacional.

A celebração, portanto, não se limita a homenagear o objeto físico. Ela também chama a atenção para o papel dos livros na circulação de ideias, na preservação da memória coletiva e na formação de leitores.

Por que a leitura continua importante?

Em um cotidiano marcado pela velocidade das informações e pelo consumo constante de conteúdos digitais, dedicar tempo à leitura pode ser uma maneira de desacelerar e aprofundar o contato com diferentes assuntos. Ler amplia o repertório cultural, favorece o desenvolvimento da interpretação de textos e oferece ferramentas para analisar informações, reconhecer diferentes pontos de vista e construir opiniões próprias.

A leitura contribui para a formação acadêmica, fortalece a escrita e ajuda estudantes a compreender conceitos, interpretar pesquisas e desenvolver argumentos. O contato com diferentes narrativas também pode ampliar a percepção sobre a linguagem, a sociedade e as experiências humanas.

Quando se trata da literatura paraense, essa aproximação ganha características próprias. As obras produzidas por escritores do estado registram paisagens, relações sociais, tradições e transformações históricas da Amazônia. Ao apresentar essas experiências por meio da ficção, da poesia e de outros gêneros, a literatura contribui para manter vivas diferentes formas de compreender a região.

Cinco livros para conhecer a literatura paraense

Para celebrar a data, uma boa ideia é explorar obras de autores ligados ao Pará e à Amazônia. A seleção a seguir reúne diferentes estilos e períodos literários, com narrativas que ajudam a conhecer a diversidade cultural da região.

1. Chove nos Campos de Cachoeira, de Dalcídio Jurandir
O romance marcou a trajetória literária de Dalcídio Jurandir, escritor e jornalista nascido em Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó. A obra apresenta experiências e personagens da realidade marajoara, aproximando o leitor do cotidiano amazônico e das condições de vida de sua população.

2. Marajó, de Dalcídio Jurandir
Também integrante do conjunto de romances conhecido como Ciclo do Extremo Norte, o livro foi publicado em 1947 e amplia o olhar do escritor sobre a região amazônica. A obra é uma oportunidade para continuar explorando o universo literário de Dalcídio, cuja produção deu destaque a personagens, relações sociais e experiências que nem sempre ocupavam o centro da literatura brasileira.

3. Terra Verde, de Eneida de Moraes
O livro reúne poemas em prosa que exploram a paisagem e a identidade amazônicas. A escritora paraense Eneida de Moraes constrói uma representação literária da região por meio de imagens da natureza e de elementos que remetem à cultura local.

4. Contos Amazônicos, de Inglês de Sousa
Reúne narrativas associadas ao universo amazônico e à tradição do Naturalismo na literatura brasileira. Inglês de Sousa é um nome importante para compreender a formação da prosa de expressão amazônica. A coletânea oferece ao leitor uma oportunidade de explorar personagens, costumes e elementos sociais e culturais da região por meio de contos.

5. Batuque, de Bruno de Menezes
A obra poética de Bruno de Menezes ocupa um lugar relevante na literatura paraense. O poema Batuque, incluído no livro Poesias, de 1931, destaca referências à cultura afro-amazônica, incluindo manifestações musicais, danças, festas e memórias relacionadas à experiência negra na região.

Fontes: GOV.BR, Scielo Brasil, Toda Matéria

Por Gabriela Ferreira, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Pâmela Gomes