Belém recebe, durante o mês de julho, a segunda residência artística do Projeto Maré, iniciativa criada pela pesquisadora e artista paraense Angelica Monteiro, diretora do projeto e professora de Teatro e Dança no Amherst College, nos Estados Unidos.
A formação reúne artistas da região Norte em um processo de criação coletiva que investiga como as vivências amazônicas influenciam a dança, a memória e a produção de conhecimento, tendo como culminância o espetáculo Maré, com apresentações gratuitas nos dias 24, 25 e 26 de julho.
O Projeto Maré propõe uma pesquisa sobre as diferentes formas de viver a Amazônia e utiliza a dança como linguagem para contar histórias, fortalecer identidades e valorizar os saberes produzidos na região. Para Angelica Monteiro, a iniciativa nasceu da vontade de dar visibilidade aos conhecimentos produzidos na Amazônia e valorizar a produção artística da região.
“Nós, do Norte do Brasil, somos acostumados com excelência. A gente é excelente no que a gente se propõe a fazer. Só que como esse é o nosso dia a dia, essa excelência acaba se tornando corriqueira e o que se torna excelente é o que vem de fora. E não é isso. Esse compartilhamento de conhecimento é essencial para qualquer fazedor de cultura, para qualquer pessoa de forma geral, mas fazedor de cultura ainda mais”, destaca.
Durante a residência, nove artistas de Belém, Ananindeua, Santarém e Macapá participam de pesquisas de campo, visitas a comunidades, experimentações corporais e trocas de experiências que ajudam a construir o espetáculo. O processo é desenvolvido a partir do Método Cuíra, metodologia criada pela pesquisadora que entende o corpo como um arquivo vivo de histórias, memórias e conhecimentos.
A diversidade da Amazônia é um dos principais eixos da pesquisa. Em vez de apresentar uma visão única da região, o projeto reúne diferentes trajetórias, culturas e linguagens artísticas para mostrar que existem muitas Amazônias convivendo no mesmo território.
Segundo Angelica, um dos objetivos da residência é ampliar a forma como a Amazônia é percebida, reunindo diferentes culturas, territórios e experiências regionais. “A gente quer contribuir nessa conversa sobre diversificar a forma que nós olhamos para a nossa região. Sim, nós somos rio, nós somos rua, nós somos peixe frito com açaí. Tudo isso atravessa o nosso corpo”, afirma.
Além das vivências diversas, o processo criativo abrange linguagens como danças urbanas, dança contemporânea, carimbó, lundu e outras manifestações culturais da região.
De acordo com a diretora, a construção do espetáculo acontece de forma coletiva. “O processo criativo do Maré é super colaborativo. Ainda tem a minha direção, mas nós todos coreografamos, nós todos falamos, a plateia vai conseguir ouvir a voz de todos nós, entender a história de todos nós e ver cada corpo dançando de uma forma muito única, mas ainda assim juntos”, explica.
A residência também integra uma pesquisa internacional que resultará na publicação de um livro sobre metodologias de criação decoloniais na dança. O projeto é realizado em parceria com a Fundação Cultural do Pará (FCP), por meio da Casa das Artes, o Mirai Centro de Movimento e o Amherst College.
SERVIÇO
Espetáculo Maré
Dias: 24, 25 e 26 de julho, com apresentações gratuitas
Horário: 19h
Local: Casa das Artes (R. Dom Alberto Gaudêncio Ramos, 236 – Nazaré, Belém/PA)
Mais informações: @mare_project | https://angelicamonteiro.com/projeto-mar
Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro