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Belém produz diariamente cerca de mil toneladas de resíduos sólidos, mas apenas uma pequena parcela desse material é reciclada. Enquanto grande parte do lixo segue para aterros sanitários ou acaba descartada de forma irregular em ruas, canais e igarapés, iniciativas ligadas à economia circular buscam dar um novo destino a esses resíduos, transformando o que seria descartado em geração de renda e redução de impactos ambientais.

A economia circular propõe um modelo diferente do sistema tradicional de produção e consumo. Em vez de extrair, utilizar e descartar materiais, a proposta busca reaproveitar recursos por meio da reciclagem, reutilização e recuperação de resíduos, reduzindo a demanda por matérias-primas e diminuindo a quantidade de lixo enviada aos aterros.

Para João Cláudio Tupinambá Arroyo, doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano e pró-reitor de Pesquisa e Extensão da Universidade da Amazônia (UNAMA), esse modelo contribui para diminuir danos ambientais e tornar o uso dos recursos mais sustentável.

“A economia circular defende que a matéria-prima de uma cadeia produtiva gere um produto que seja matéria-prima de uma nova cadeia produtiva, pela reutilização, reciclagem ou reorganização do sistema. Isso diminui o desperdício, reduz os custos e favorece um desenvolvimento mais sustentável”, explicou.

Em Belém, algumas iniciativas já colocam esse conceito em prática. Entre elas está a Estação Preço de Fábrica, primeiro hub de reciclagem com pagamento via Pix da Região Norte, onde a população pode entregar materiais recicláveis e receber remuneração de acordo com o volume coletado. Atualmente, o município também conta com cooperativas de catadores, ecobarreiras instaladas em canais e projetos que transformam resíduos plásticos em materiais utilizados em espaços públicos.

Além da geração de renda, a destinação correta do lixo ajuda a evitar a poluição de rios e igarapés. Sacolas, garrafas PET, embalagens e outros materiais descartados irregularmente estão entre os principais resíduos encontrados nos cursos d’água da Região Metropolitana de Belém, provocando alagamentos, contaminação ambiental e prejuízos à fauna local.

Apesar dos avanços, a ampliação da reciclagem ainda depende do fortalecimento das cooperativas e de maior participação da população na separação correta dos resíduos. Segundo Jonas da Silva, coordenador da Cooperativa de Catadores Concaves, um dos principais desafios enfrentados pelos catadores é a falta de contratação pelo poder público, conforme prevê a legislação.

“O principal desafio é ser contratado pelas prefeituras, como está na Lei 12.305. As cooperativas são organizadas, pagam impostos como qualquer empresa, mas ainda não são reconhecidas pelos gestores municipais. Nós fazemos esse material voltar para o ciclo produtivo, mas esse trabalho ainda precisa ser valorizado”, destacou.

Para quem deseja contribuir com a reciclagem, a Prefeitura de Belém disponibiliza um mapa com informações sobre a coleta seletiva e os pontos de entrega voluntária distribuídos pela cidade. O serviço informa locais, dias e horários de recolhimento de materiais recicláveis e pode ser consultado no site.

Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo na UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro