O Ministério da Saúde planeja ampliar, ainda em 2026, os atendimentos por telefone e videochamadas para pessoas com problemas relacionados à dependência em jogos de aposta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto (nº 13.033), nesta sexta-feira (19) para fortalecer o combate ao mercado ilegal das bets.
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a prática como um comportamento potencialmente prejudicial à saúde mental, associada diretamente aos transtornos de ansiedade e depressão – além do risco aumentado de suicídio e autolesão.
A atual estratégia de teleatendimento será reforçada por meio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), encarregada de contratar empresas especializadas para aumentar a assistência gratuita a jogadores compulsivos.
Desde março, mês em que o serviço foi inaugurado, a iniciativa já conta com 6.912 usuários cadastrados. A expansão do teleatendimento exigirá cerca de R$ 70 milhões em investimentos até o fim do ano, integrando o plano de medidas de prevenção, qualificação profissional e ampliação do acesso populacional à Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
A pasta ainda irá destinar R$ 6 milhões para o custeio do desenvolvimento de uma pesquisa inédita para entender os efeitos dos jogos e apostas na saúde dos brasileiros. O objetivo é identificar quais grupos são mais prejudicados e os principais riscos causados pelo vício. A partir dos estudos, o governo terá melhores condições de implementar ações e políticas públicas de atendimento e prevenção no SUS.
Acesso ao teleatendimento
Para utilizar os serviços de atendimento via telefone em saúde mental do SUS, o usuário deve se cadastrar por meio do aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente nas lojas Android, iOS ou na versão web. Será necessário criar uma conta Gov.br ou usar a previamente cadastrada.
A plataforma oferece conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impactos das chamadas betsna saúde mental. O aplicativo também disponibiliza um autoteste validado por especialistas; se o questionário indicar um resultado de risco moderado ou elevado, será automaticamente encaminhado para o teleatendimento.
Em casos de menor risco, a pessoa será orientada a buscar apoio qualificado em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A Ouvidoria do SUS também está apta para orientar sobre o tema.
Os profissionais atendem pelo telefone 136, por teleatendimento, via formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde. Todas as informações seguem as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Por Isabella Cordeiro