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Conhecido como “poeta do violão”, Tó Teixeira teria completado 133 anos no dia 13 de junho. Nascido no bairro do Umarizal, em Belém, Antônio Teixeira do Nascimento Filho começou a vida como encadernador de livros – ofício que o aproximou do universo literário e influenciou sua criação musical.

Além da vocação para o ensino, o autodidata era violonista e compositor. Tó Teixeira foi o primeiro transcritor de obras clássicas para violão da Amazônia, sendo o grande pioneiro como professor do instrumento na região. Em sua casa, foi responsável pela formação de gerações de músicos de diferentes classes sociais, de pedreiros a juízes.

Multi-instrumentalista, Tó compôs valsas, choros, ladainhas, carimbós e sambas ao longo de sua trajetória, introduzindo o violão em ritmos tradicionais paraenses, como “bambiá”, considerado um dos precursores do carimbó.

Segundo o violonista e pesquisador Salomão Habib, que se dedica a estudar a vida e a obra de Tó Teixeira, o músico deixou mais de 250 músicas – quase todas inéditas – entre canções e peças instrumentais para violão solo e para banda.

No entanto, grande parte dessas produções não permaneceu com ele, uma vez que eram entregues aos alunos durante as aulas que lecionava – fato que ocasionou a dispersão desse material e, por vezes, no desaparecimento de seu repertório.

Apesar das lacunas históricas, Tó permanece sendo um artista fundamental para a construção musical da Amazônia e é reconhecido como um dos grandes pilares da música paraense do século XX.

Contornando as barreiras sociais e superando as dores causadas pelo racismo, Tó foi o primeiro negro a realizar apresentação na forma de concerto em Belém, em 1919. Em carta, o músico chegou a revelar a experiência de ser o único homem preto em uma festa de São João em 1925. 

A obra e o legado de Tó Teixeira começaram a ser resgatados e propagados novamente por Salomão Habib. Além de gravar a obra do músico em vários CDs, Habib escreveu um livro biográfico e de partituras sobre o mestre, sempre incluindo o violonista em seus recitais.

Por Isabella Cordeiro