Foto: Reprodução / X (Ygor Durães)

O El Niño é um fenômeno climático global natural que ocorre na região do Oceano Pacífico Equatorial, monitorado por diversos centros de pesquisas do mundo. Segundo a “Nota Técnica – El Niño 2026”, fornecida pelo Governo, a probabilidade de ele ser formado ainda este ano é superior a 80%.

Apesar de ter efeitos particulares na América do Sul, a influência do El Niño afeta a circulação atmosférica global, com alterações climáticas que geram riscos na economia e instabilidade na produção de alimentos e na saúde.

O evento natural acontece devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, principalmente nas regiões Central e Leste. Esse fenômeno também interfere diretamente na distribuição das chuvas e das temperaturas, provocando eventos extremos em diversos países.

No Brasil, os impactos variam conforme a região; no Norte, há tendência de diminuição das chuvas e aumento das temperaturas, favorecendo secas mais intensas e queimadas florestais. Já no Sul do país, o cenário costuma ser o oposto, com chuvas acima da média, tempestades e risco maior de enchentes. Essas mudanças climáticas também afetam a agricultura, o abastecimento de água e a geração de energia elétrica.

No entanto, as consequências do El Niño não são uma novidade. Entre 1876 e 1878, um dos episódios mais severos do fenômeno provocou secas extremas em diversas partes do mundo, principalmente na Ásia, África e América Latina. Estudos apontam que milhões de pessoas morreram em consequência da fome, da escassez de água e das doenças associadas às condições climáticas, tornando-se uma das maiores crises climáticas do século XIX.

Especialistas alertam que, apesar dos avanços tecnológicos e científicos atuais, os riscos continuam elevados. O crescimento populacional, desmatamento e mudanças climáticas globais aumentam os impactos do fenômeno na sociedade contemporânea. No Brasil, há preocupação com a possibilidade de estiagens prolongadas, queimadas de grandes proporções e prejuízos econômicos em diferentes setores.

A economia brasileira pode ser afetada significativamente e o setor que mais corre riscos é a agricultura. A irregularidade das chuvas compromete plantações de soja, milho, café, arroz e feijão, além de impactar a pecuária; com a redução da produtividade no campo, o aumento nos preços dos alimentos irá influenciar diretamente o custo de vida da população. Paralelamente a isso, a diminuição do volume dos rios interfere na geração de energia hidrelétrica, o que pode elevar os gastos da conta de energia dos brasileiros.

Já na área da saúde, os efeitos também preocupam. O calor intenso e a seca favorecem problemas respiratórios, principalmente devido ao aumento das queimadas e da fumaça. Em virtude das altas temperaturas previstas, o aumento do risco de desidratação e insolação é estimado especialmente em idosos e crianças.

Em regiões com enchentes e chuvas intensas, há ainda maior possibilidade de proliferação de doenças transmitidas pela água e por mosquitos, como dengue e leptospirose.

Para orientar a população sobre os possíveis impactos do fenômeno, a Nota Técnica disponibilizada pelo Governo reúne análises meteorológicas, previsões climáticas e informações sobre os riscos econômicos e sociais provocados pelo evento.

O relatório pode ser consultado gratuitamente pela internet, através do portal oficial do Governo Federal ou neste link.

Por Anna Magalhães, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro