Foto: Walterson Rosa / MS

A vacinação, prática consolidada entre os brasileiros como forma de cuidado e prevenção de doenças, pode se tornar uma aliada no combate ao câncer – uma das enfermidades mais complexas da atualidade. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que 781 mil novos casos sejam registrados por ano entre 2026 e 2028.

Diante desse cenário, o Ministério de Saúde busca meios para avançar nas pesquisas que contribuam para o desenvolvimento de vacinas capazes de estimular o sistema imunológico a identificar e combater células cancerígenas. A estratégia é uma das prioridades do setor e a pasta lidera a mobilização de instituições públicas e privadas, em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Ao contrário dos imunizantes que criam uma espécie de “escudo” no organismo humano, as vacinas contra o câncer podem agir como um guia que orienta células de defesa no reconhecimento de tumores que antes passariam despercebidos.

Sendo assim, o consórcio foca na elaboração de imunizantes que possibilitem o diagnóstico precoce e a prevenção da doença, como já ocorre com a vacina contra o HPV (papilomavirus humano), disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS), Fernanda De Negri, a abordagem é inovadora, considerando que não envolve protocolos existentes que tratam o câncer com recursos externos, como a rádio e a quimioterapia, que também podem acometer células saudáveis do organismo.

“Os esforços são para avançarmos em um modelo de tratamento mais preciso e menos invasivo. É um passo relevante rumo a terapias mais seguras, que priorizam a qualidade de vida durante o tratamento e apontam para uma nova perspectiva no cuidado oncológico, aliando eficácia terapêutica a um menor impacto no organismo”, explicou.

A colaboração entre o Ministério da Saúde e a Universidade de Oxford, resultado do acordo assinado entre a SCTIE/MS e o Centro de Imuno-Oncologia da Universidade de Oxford em dezembro de 2025, está articulada em três pilares: avanço de descobertas científicas em imunologia e oncologia, uso da inteligência artificial (IA) para o desenvolvimento de vacinas personalizadas e a aceleração de ensaios clínicos.

Entre as instituições participantes desse processo colaborativo, estão o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e os hospitais de excelência vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

Por Isabella Cordeiro