O mestre da MPB feita na Amazônia, Manoel Cordeiro, lança “Te Dou Um Norte”, o terceiro álbum solo em 59 anos de carreira, na sexta-feira, 22 de maio. O projeto marca mais um capítulo importante na trajetória de um dos principais produtores da música amazônica contemporânea e que teve a obra musical reconhecida como patrimônio cultural e imaterial do Pará em 2025. O pré-save já está disponível nas plataformas digitais.
Com produção assinada por Manoel Cordeiro em parceria com Gustavo Ruiz, o álbum apresenta uma obra coesa e profundamente conectada às sonoridades da Amazônia. Ritmos como carimbó, lambada, brega e zouk aparecem reorganizados em arranjos sofisticados, equilibrando tradição popular e linguagem contemporânea.
A guitarra, elemento central da identidade musical de Manoel, conduz o disco como fio narrativo e assinatura estética ao longo de dez faixas. Entre inéditas e outras do fundo do baú do multi-instrumentista, está “Te Dou um Norte”, que reúne encontros com grandes nomes da música, como Lia Sophia, Patrícia Bastos, Keila, Emília Monteiro, Fernando Catatau, Igor Capela, Luiz Pardal e o coletivo Lambada de Serpente.
Aos 70 anos de idade, Manoel Cordeiro reafirma a relevância artística pelo domínio da linguagem musical construída ao longo de décadas. “Te Dou um Norte” é um convite à escuta da potência cultural amazônica, conectando memória, modernidade e identidade em uma obra que projeta a música do Norte para o mundo.
Faixa a faixa
A música de abertura do álbum é um convite para dançar com fervor, “Kassaviando”, homenagem ao francês Jacob Desvarieux, considerado “pai” do zouk global, ritmo caribenho popularizado pelo grupo Kassav, nos anos 70. “Há mais de 30 anos pesquiso esse ritmo que deu origem à lambada”, destaca Manoel. O paraense Ígor Capela participa da faixa em dueto de guitarras com o mestre.
Manoel Cordeiro apresenta o zouk love em “Chuva de Foguinho”, suingue contagiante em parceria com a paraense Keila (Gang do Eletro), que também assume o vocal da faixa em interpretação arrasadora de falsete, trazendo energia à letra sensual que fala de amor e de dança.
A diva amapaense Patrícia Bastos canta “Floresta em Pé”, com letra de Joãozinho Gomes (autor de “Sabor Açaí” com Nilson Chaves) e melodia de Manoel em um carimbó profundo que exalta a conservação ambiental da maior floresta do mundo. Felipe Cordeiro, filho de Manoel, participa na programação de bateria e percussão.
Em “Oh Sorte”, a paraense Lia Sophia canta e divide autoria com Manoel na guitarrada pop com edição de Gustavo Ruiz. “Foi um carinho da Lia, que se refere à sonoridade da guitarra como uma guia, que orienta a nossa música”, descreve.
Em “Zouk Serpente”, Manoel dialoga com a nova geração em participação da banda Lambada de Serpente, de Brasília, que fez os beats. A música é do mestre, que assumiu os teclados e a guitarra solo.
A faixa do afeto do multi-instrumentista é “Boizinho dos Caetés”, uma homenagem ao pai dele, o cearense Raimundo Cordeiro, “Seu Mundinho”, que amava a cidade de Bragança, no Pará. A cultura bragantina surge na brincadeira de boi, que dita o ritmo, na homenagem a São Benedito e na poesia do paraense Ronaldo Silva (Arraial do Pavulagem) que é recitada por Manoel, dando voz ao produtor de forma inédita em um registro audiovisual. O dueto coroa a música com o maestro paraense Luiz Pardal à rabeca bragantina e Manoel ao piano.
Manoel Cordeiro assume vários instrumentos nas faixas, como guitarra, contrabaixo, teclados e programação de bateria e percussão, atuando sozinho em algumas delas, como na faixa-título (subtítulo “Patrulheiro da Costa Norte”), um marabaixo instrumental com guitarra e teclados psicodélicos que têm “a intenção de defender a nossa música, território, cultura e identidade, além de apontar caminhos”, explica.
A execução solo também aparece na lambada flamenca “Pocoroco”, parceria com o saudoso Leandro Dias, de 2012, que ganhou vigor na voz da mineira de ascendência amapaense Emília Monteiro. “Leandro foi um dos compositores mais vigorosos e interessantes que o Pará produziu. E a gravação da Emília deu alma à música”, afirma.
Entre as músicas emblemáticas da carreira que ressurgem no novo álbum, estão “Lambada Desumana”, faixa de “Guitar Hero” que estará na trilha sonora do filme “Porto Caribe”, co-produção da Parioca Filmes e Globo Filmes, a ser lançado; e o brega marcante “Fim de Festa”, sucesso dos anos 80, gravado originalmente pelo irmão de Manoel, Evandro Cordeiro, o “Barata”, no disco “Barata- Sua Voz e Sua Guitarra”, e regravado por Felipe, em “Kitsch Pop Cult”. A nova gravação tem produção de Manoel, Pupilo e Gustavo Ruiz com participação especial de Fernando Catatau na guitarra e Alberto Continentino no contrabaixo.
Com informações da assessoria de imprensa