Foto: Gabriel Prestes

O médico paraense Arthur Luiz Freitas Forte integra a equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelos estudos da poliminina, um composto que estimula a reconexão de neurônios danificados na medula espinhal, sob a coordenação da professora e cientista Tatiana Sampaio.

Durante passagem por Belém, o pesquisador explicou, em entrevista à Rádio UNAMA FM, o funcionamento da laminina, uma proteína natural do corpo humano que atua no desenvolvimento embrionário e que foi transformada na polilaminina.

A pesquisa já apresenta resultados surpreendentes e promissores na recuperação de movimentos, inclusive em animais, e segue para as próximas fases. Caso as próximas etapas confirmem a eficácia do tratamento, a expectativa é de que, em até cinco anos, ele esteja disponível para a população.

No entanto, algumas pessoas já estão realizando o uso compassivo da substância, que não faz parte dos estudos conduzidos por Tatiana e sua equipe. “E 34 pacientes já receberam tratamento por meio desse uso, que não faz parte de estudo. O uso compassivo não é estudo algum. Apesar de a gente, obviamente, tratar os pacientes com a seriedade, com o rigor de um estudo, eles não vão entrar em estudo algum”, ressalta Arthur.

Antes, os pacientes interessados no tratamento com a polilaminina precisavam de autorização da Justiça; agora, já podem solicitar o medicamento diretamente à Anvisa ou ao laboratório Cristália, responsável pela sua produção. Ainda assim, o uso compassivo não é indicado para todas as pessoas com lesões na medula, pois exige critérios específicos, como ter entre 18 e 72 anos e apresentar lesões medulares completas, agudas e traumáticas com até 90 dias.

Apesar de ainda estar em fase inicial, a pesquisa com a polilaminina simboliza uma esperança de transformação para milhares de pessoas, reafirmando a potência científica e da medicina no Brasil e no mundo.

Confira a entrevista completa:

Texto por Isabella Cordeiro