Foto: Bianca Darski / Instituto Mamirauá

Em fevereiro deste ano, pesquisadores do Instituto Mamirauá instalaram uma estação meteorológica na Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé, em Alvarães (AM). A ação foi organizada juntamente com comunitários e tem como objetivo ampliar a rede de monitoramento do clima na região da Amazônia Central e aumentar a resiliência das comunidades através de informações úteis para a adaptação às mudanças climáticas.

Esta é primeira estação meteorológica instalada no âmbito do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia. A estação medirá informações para a compreensão do clima na região onde está localizado o Lago de Tefé, como temperatura e umidade do ar, direção e velocidade do vento, radiação solar e quantidade de chuva.

Outras quatro estações serão instaladas, uma para cada lago monitorado no projeto: Lago de Coari, Lago de Janauacá, Lago de Serpa, no estado do Amazonas, e Lago Grande de Monte Alegre, no Pará. De acordo com Daniel Michelon, pesquisador do Grupo de Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia do Instituto Mamirauá, medir variáveis meteorológicas é fundamental para entender como o clima está mudando na região amazônica, especialmente em áreas protegidas como a Flona de Tefé.

“Essas variáveis controlam diversos processos ambientais, incluindo o nível dos lagos, a ocorrência de secas e cheias, e o funcionamento dos ecossistemas. Esses dados também são fundamentais para compreender as interações entre atmosfera, floresta e corpos d’água, além de alimentar e validar modelos climáticos e ecológicos e de previsão do tempo”, explica o pesquisador.

O coordenador do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia e pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann, destaca a importância da parceria com a comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, e demais comunitárias do Lago de Tefé, para a instalação da estação meteorológica, que irá ajudar na compreensão dos impactos das mudanças climáticas.

Diante de um cenário cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos, como as secas históricas que ocorreram em 2023 e 2024 no Amazonas, pesquisadores do Instituto Mamirauá e de outras instituições concentram esforços para coletar e analisar informações nos ecossistemas aquáticos na região.

Com dados de longo prazo e em ampla escala geográfica, o objetivo é entender as consequências desses eventos extremos e prever a sua ocorrência, de forma a subsidiar políticas públicas para reduzir a vulnerabilidade de quem vive e depende dos ecossistemas aquáticos amazônicos.

“Para os moradores da Flona Tefé, essas informações ajudarão a entender melhor os padrões de chuva, seca e vento, apoiando o planejamento de atividades locais e fortalecendo a capacidade de adaptação às mudanças climáticas”, explica Daniel Michelon.

Moradores da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha decidiram o local da instalação da estação meteorológica e discutiram os benefícios para a comunidade. O comunitário Jucelino Oliveira da Costa explica que para ele é motivo de muito orgulho ter uma estação na comunidade.

“Conseguir esta estação através do conhecimento e da parceria é motivo de muito orgulho. A gente não tem como saber o quanto está quente ou frio, então tendo um aparelho que mede isso, a gente vai passar a saber, quanto graus está, o que secou, o que choveu”, explica Jucelino Costa.

Silas Rodrigues, presidente da comunidade, aponta que para os comunitários será importante acompanhar como está o clima. “Envolvendo as escolas, quem sabe não pode surgir o interesse de saber o que é uma estação e o que ela faz? Pode surgir pessoas que se interessam pela área de meteorologia e se formar nessa área. Vamos ficar próximos, acompanhando”, destaca o presidente.

Rede de monitoramento climático e ambiental

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia, mantém desde 2023 uma rede de monitoramento climático e ambiental, composta por quatro estações meteorológicas distantes entre si por mais de 80 quilômetros.

As estações estão localizadas na cidade de Tefé e nas unidades de conservação Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Uarini, AM) e Floresta Nacional de Tefé (Alvarães, AM). Além dos dados meteorológicos, também é medido diariamente o nível da água do rio ou do lago com uso de uma régua.

Os dados monitorados são divulgados mensalmente em diferentes canais, como rádio, e-mail e o grupo de whatsapp do Boletim das Águas do Médio Solimões. O grupo foi criado em 2023 e atualmente conta com mais de 900 membros, em sua maioria moradores da região.

Além de dados meteorológicos da região do Médio Solimões, são divulgadas informações hidrológicas como o nível do rio do Alto Solimões e de afluentes como os rios Japurá e Negro.

Por Bianca Darski / Assessoria de Comunicação – Instituto Mamirauá