O surto da Doença de Chagas, em Ananindeua, tem impactado consumidores e comerciantes de açaí. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, somente em janeiro de 2026 foram registrados 14 casos e quatro mortes — número que representa cerca de 30% de todos os casos registrados no ano passado.
O açaí, que antes não faltava na mesa do aposentado Aníbal Miranda, agora ficou de fora da rotina. Morador de Ananindeua, ele conta que, preocupado com a transmissão da doença, decidiu deixar de consumir o fruto. “Eu comprava toda semana, mas agora, com essa Doença de Chagas, parei. Não estou mais consumindo”, relata.
Assim como o seu Aníbal, muitos consumidores também suspenderam a compra do alimento. Segundo o diretor da Associação da Cadeia Produtiva do Açaí, Rochinha Júnior, as vendas caíram de forma significativa, o que tem causado grandes prejuízos aos vendedores. “De segunda a sexta-feira, que são os dias mais tranquilos de trabalho, as vendas caíram entre 30% e 40%. Já nos fins de semana, quando o movimento é maior, a redução ficou entre 20% e 25%”, afirma.
A Doença de Chagas é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi e é transmitida principalmente pelo consumo de alimentos contaminados com fezes do inseto barbeiro. O problema não está no açaí em si, mas no manejo incorreto durante o preparo. Rochinha explica que, para evitar a doença, é necessário seguir corretamente todas as etapas do processo de produção.
“O Decreto 326, de 2012, determina que o açaí passe por etapas que eliminem riscos físicos, químicos e biológicos. Isso inclui a seleção do fruto, a lavagem com água clorada e o processo de branqueamento”, explica.
Para capacitar os manipuladores artesanais de açaí e bacaba, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realiza, às quintas-feiras, na Casa do Açaí, cursos sobre boas práticas de manipulação e critérios sanitários exigidos para a atividade. Segundo a coordenadora da Casa do Açaí, Débora Barros, a iniciativa reforça uma das principais estratégias de prevenção de riscos à saúde coletiva.
“No caso do açaí, que é um produto amplamente consumido, é fundamental que a qualidade seja colocada em primeiro lugar, para evitar problemas de contaminação e impedir que os consumidores adoeçam, seja por Doença de Chagas ou por qualquer outra enfermidade transmitida por alimentos”, destaca.
Rebeca Costa para o Radiojornal 30 Minutos