A mandioca, raiz nativa que já ganhou o título de “alimento do século XXI” pela Organização das Nações Unidas (ONU), norteia a pesquisa do projeto “Desenvolvimento de produtos para a alimentação a partir da mandioca e seus derivados”, financiada com recursos do Governo do Estado, por intermédio da Fundação Amazônia de Amparos a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
A pesquisa cria e avalia alimentos armazenados em silos e desidratados a partir de derivados da mandioca, utilizando-os como alternativa para alimentar ovinos e bovinos. A proposta também foca na redução de custos na pecuária, disponibilizando opções mais econômicas aos alimentos convencionais, como milho e soja – visando sustentabilidade e o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia.
De seis experimentos, quatro estão concentrados na análise de processos de conservação dos alimentos (ensilagem e desidratação), observando a qualidade fermentativa e a composição química, enquanto dois avaliam os produtos gerados em ovinos, checando variáveis como consumo, digestibilidade e desempenho dos animais.
Segundo o doutor Thiago Carvalho, professor da Universidade Federal Rural da Amazônia e pesquisador responsável pelo projeto, o desenvolvimento dessa pesquisa é muito relevante, considerando a amplitude dos impactos econômicos e socioambientais.
“Ele visa promover o desenvolvimento socioeconômico e a diversificação de renda para pequenos produtores de mandioca e farinheiras, agregando valor aos derivados da cultura”, explica.
Avaliando os resultados
Os primeiros resultados da pesquisa apontam que, em comparação à prática comum de exposição da raiz, a casca da mandioca é mais preservada na forma de silagem (forragem verde conservada em silo que serve de suplementação de alimentação animal). Durante o processo, foi adicionado o componente da torta de dendê, capaz de absorver a umidade e reduzir a deterioração da silagem.
A partir de testes com animais, os dados mostram que a silagem de casca de mandioca pode substituir o milho nas dietas, sem perda de desempenho, resultando no desenvolvimento de um produto já comercializado – a silagem da casca de mandioca com torta de dendê.
As pesquisas culminaram em três defesas de mestrado, em 2025, que comprovam a expansão das formas de manuseio dos derivados da raiz nativa além da ensilagem. Ainda, indicaram a boa conservação por desidratação solar dos farelos de folha e casca, fontes de proteína e energia nas dietas animais.
Por Isabella Cordeiro