Foto: Ministério do Meio Ambiente

Setembro é marcado por ações e discussões voltadas à Amazônia, período que reforça a importância do bioma para o equilíbrio ambiental e para a vida de milhões de pessoas. A região concentra uma das maiores biodiversidades do planeta, abriga povos indígenas e comunidades tradicionais e possui uma extensa rede de rios e áreas de floresta.

No Brasil, o Dia da Amazônia é celebrado em 5 de setembro. A data foi instituída pela Lei nº 11.621, de 2007, e faz referência à criação da Província do Amazonas, em 5 de setembro de 1850, durante o governo de Dom Pedro II. A ocasião busca chamar a atenção para a conservação do bioma e para os impactos causados pela degradação da floresta.

Para Priscila Costa, professora de Biologia, a importância da Amazônia também está relacionada à manutenção dos recursos naturais que sustentam diferentes atividades no país. “A Amazônia é essencial para o equilíbrio ambiental, tanto em escala regional quanto nacional, pois concentra uma das maiores biodiversidades do planeta. Então, entende-se que ela funciona como um motor climático e ecológico para todo o país.”

A floresta participa diretamente do ciclo da água e influencia a distribuição de umidade para outras regiões brasileiras. Esse processo está relacionado à chamada evapotranspiração, realizada pelas plantas, que contribui para a formação de massas de umidade responsáveis pela ocorrência de chuvas.

A biodiversidade amazônica é formada por uma grande variedade de animais, plantas e outros organismos, muitos ainda desconhecidos pela ciência. A destruição dos ambientes naturais pode alterar essa rede de relações e afetar espécies que dependem de condições específicas para sobreviver.

Segundo Priscila, os impactos da degradação vão além da perda de árvores. “Quando uma área da Amazônia é desmatada ou degradada, o impacto não fica restrito apenas às árvores que foram retiradas. Toda uma rede de vida é afetada. Muitos animais perdem o seu habitat, encontram mais dificuldade para conseguir alimento e acabam tendo que se deslocar para outras áreas.”

Entre as principais ameaças ao bioma estão o desmatamento, as queimadas, a mineração ilegal e outras formas de exploração dos recursos naturais. Essas atividades podem comprometer habitats, alterar o ciclo da água e contribuir para o aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Para a professora, a preservação da Amazônia depende da busca por alternativas que permitam gerar renda sem destruir os recursos naturais. “É possível gerar renda e melhorar a qualidade de vida da população sem destruir os recursos naturais que sustentam a própria região. Para isso, é importante investir em atividades econômicas sustentáveis, como o manejo florestal responsável, o extrativismo de produtos da sociobiodiversidade, a agricultura e a pecuária em áreas já abertas, além da bioeconomia e do turismo de natureza.”

As comunidades tradicionais também têm papel importante na preservação da Amazônia. Entre elas, os povos indígenas se destacam pela relação histórica com a floresta e pelos conhecimentos construídos ao longo de gerações sobre o território e seus recursos naturais. Valorizar esses saberes e garantir os direitos dessas populações também faz parte dos caminhos para fortalecer a conservação do bioma.

Preservar a Amazônia significa garantir que seus recursos continuem disponíveis para as próximas gerações. Por isso, a conservação do bioma depende de ações contínuas de proteção e de escolhas que reconheçam a floresta como parte essencial da vida e do futuro do país.

Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro