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Histórias narradas por avós, pais, vizinhos e moradores de comunidades amazônicas estão ganhando espaço no universo digital. Estudantes de Santa Izabel do Pará estão desenvolvendo novos moldes para a tradição oral por meio do projeto “Amazônia em Rede”, que nasceu dentro da sala de aula como uma proposta de preservação da memória cultural amazônica.

Idealizada pela professora Thaís França de Paula, a partir de atividades pedagógicas realizadas com alunos do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Profa. Marieta Emmi, a iniciativa combina literatura e tecnologia, com o objetivo de valorizar as narrativas da Amazônia.

Thaís conta que o trabalho desenvolvido apresenta lendas e relatos que perpetuam tradicionalmente na região. Os alunos foram incentivados a estudar, conversar com a comunidade local e transformar a riqueza da oralidade amazônica em texto. “A partir deste processo, surgiram dezenas de contos de suspense e de assombração produzidos pelos próprios estudantes. E então, produziram um livro físico”, complementa.

A produção dos livros impulsionou uma nova ideia: utilizar a tecnologia para fazer as histórias alcançarem ainda mais pessoas. “Assim surgiu o Amazônia em Rede, um projeto que une tradição e inovação. E a partir disso, os alunos colocaram em um site, em uma plataforma interativa, todos esses contos que retratam a oralidade da Amazônia”, explica.

Descritos pela professora como os principais protagonistas do Amazônia em Rede, cerca de 70 alunos das turmas A e B do 2º ano participaram de todas as etapas de criação do projeto. Depois dos processos de escuta e pesquisa, cada estudante colocou a criatividade em prática para escrever os contos, que deram origem a mais de 50 obras.  

“Por isso, os alunos do 2º A e do 2º B não são apenas participantes; eles são pesquisadores, escritores, contadores de história, criadores e protagonistas da iniciativa. Cada livro produzido representa uma parte da memória amazônica resgatada e recriada pelo olhar dos nossos jovens”, destaca Thaís.

Para a professora, a importância do trabalho está justamente no reconhecimento e preservação da memória, identidade e tradição oral da Amazônia – onde existem histórias, crenças, costumes e narrativas que atravessam gerações e que, por muito tempo, foram transmitidas oralmente através de familiares e moradores mais antigos da comunidade.

“No entanto, muitas dessas histórias correm o risco de se perder com o passar do tempo. Por isso, o projeto busca fazer uma ponte entre o passado e o futuro, resgatando essas narrativas da tradição oral e, por meio da leitura, da escrita e da tecnologia, damos a elas novas formas de permanecerem vivas”, reforça.

Thaís também chama atenção para o protagonismo de jovens amazônidas, responsáveis pelo resgate e registro dessas narrativas no ambiente digital. “Assim, mostramos que a tecnologia não precisa afastar os jovens de suas raízes. Pelo contrário, ela pode ser uma grande aliada da preservação da cultura e da divulgação da identidade amazônica”, afirma.

A professora ressalta a importância do Amazônia em Rede, uma vez que mostra que a região também produz conhecimento, literatura, criatividade e inovação. “É a nossa própria população contando suas histórias, valorizando suas origens e utilizando as ferramentas do presente para garantir que a memória cultural da Amazônia continue viva para as próximas gerações”, conclui.

Por Isabella Cordeiro