Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas acontece nesta terça-feira (15) e chama atenção para a importância de reconhecer os sinais da doença e buscar avaliação médica. O linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável por parte da defesa do organismo, e pode atingir pessoas de diferentes faixas etárias.
A doença ocorre quando os linfócitos, células de defesa do organismo, sofrem alterações e passam a se multiplicar de maneira descontrolada. Os linfomas são divididos principalmente entre os tipos Hodgkin e não Hodgkin, que apresentam características e tratamentos diferentes.
Entre os principais sinais de alerta estão o aparecimento de linfonodos, conhecidos popularmente como “ínguas”, principalmente no pescoço, axilas e virilha. Febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso sem explicação, cansaço excessivo e coceira persistente também podem estar relacionados à doença.
A onco-hematologista Giovanna Ghlefond explica que a observação do próprio corpo pode ajudar na identificação de mudanças que precisam ser avaliadas por um profissional de saúde. “Acho que a prioridade é o paciente se tocar, apalpar pescoço, axila, virilha e, tendo a percepção do aumento desse gânglio, procurar uma consulta médica para que o hematologista faça uma análise mais minuciosa.”
As causas dos linfomas ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, alguns fatores podem aumentar o risco, principalmente situações que comprometem o funcionamento do sistema imunológico. Entre eles estão o HIV, transplantes, uso de determinados medicamentos imunossupressores, algumas infecções como o vírus Epstein-Barr, e histórico familiar de doenças linfoproliferativas.
Quando há suspeita da doença, o médico pode solicitar exames de imagem, como tomografia ou PET-CT, para avaliar a presença e a extensão de alterações nos linfonodos. A confirmação, porém, depende da análise do tecido afetado.
Segundo Giovanna, a biópsia é fundamental para identificar exatamente qual doença está presente e orientar a escolha do tratamento. “O diagnóstico só é feito e afirmado através de uma biópsia, onde se retira uma parte desse gânglio, do tecido alterado para ser analisado e, daí sim, a gente vai dar o nome e o sobrenome da doença para que a gente possa escolher qual é a melhor forma de tratá-la.”
O tratamento varia de acordo com o tipo de linfoma, a extensão da doença e as condições de cada paciente. Dependendo do caso, podem ser indicados acompanhamento, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo.
De acordo com a médica, os avanços da área ampliaram as possibilidades terapêuticas para pacientes que apresentam diferentes formas da doença, inclusive em casos de recaída ou retorno do linfoma após o tratamento inicial.
“Atualmente a gente já tem tratamentos mais revolucionários, como a imunoterapia, terapia-alvo, CAR-T Cell. Também temos o transplante de medula óssea que se faz necessário em algumas situações, como a doença recidivada ou recaída. Então existem muitas opções terapêuticas e aí vem a importância do diagnóstico precoce.”
A data reforça a necessidade de atenção aos sinais do organismo e da busca por avaliação médica quando alterações persistirem. O diagnóstico permite identificar o tipo de linfoma e direcionar a conduta mais adequada para cada paciente.
Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro