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A transmissão do Papilomavírus Humano (HPV), considerado um dos principais problemas de saúde pública no mundo, é evitável. A informação ganha ainda mais relevância durante o período de Carnaval, quando o aumento das interações sociais e do sexo casual eleva o risco de contágio por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

O uso do preservativo é uma das principais formas de prevenção contra o HPV, assim como ocorre com outras ISTs. No entanto, especialistas alertam que a proteção precisa ir além da camisinha, especialmente diante do impacto do vírus na saúde da população.

De acordo com a ginecologista oncológica Mary Valente, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), o HPV está diretamente associado a quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, doença que atinge mais de 17 mil mulheres por ano no Brasil. O vírus também é responsável por cânceres de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe.

“Quase 5% de todos os cânceres no mundo estão relacionados ao HPV. É um risco grande demais para ser ignorado, independentemente de festa, Carnaval ou qualquer outra circunstância”, destaca a médica.

Além do preservativo, a vacinação é apontada como a forma mais eficaz de prevenção contra o HPV. Atualmente, o imunizante está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. A partir de 2026, o Ministério da Saúde também passará a ofertar a vacina para jovens de 15 a 19 anos.

Segundo a especialista, a eficácia da vacina é maior quando aplicada antes do início da vida sexual. “Países como Canadá e Austrália, que iniciaram a vacinação cerca de dez anos antes do Brasil, estão próximos de erradicar o câncer do colo do útero. Aqui, ainda registramos cerca de 7 mil mortes anuais causadas pela doença”, afirma.

Baixa adesão à vacinação no Pará

No Pará, a cobertura vacinal contra o HPV ainda apresenta índices abaixo da média nacional em algumas faixas etárias. Entre meninas de 9 anos, a cobertura é de 61,08%, enquanto entre os meninos da mesma idade o índice chega a 51,45%. Aos 14 anos, os percentuais sobem para 78,53% no público feminino e 62,03% no masculino.

A baixa adesão, segundo Mary Valente, está relacionada principalmente à desinformação e ao preconceito. “Ainda existe a ideia equivocada de que vacinar crianças e adolescentes estimula o início precoce da vida sexual, o que não é verdade. A idade está relacionada apenas à eficácia da vacina. Outro erro comum é achar que só meninas precisam se vacinar, quando o HPV também pode causar câncer de pênis, garganta e outros tipos que afetam os homens”, explica.

A médica reforça ainda que o preservativo, embora fundamental, não impede totalmente a transmissão do vírus, já que o HPV pode ser transmitido pelo contato direto entre a pele, mesmo sem penetração. Por isso, a combinação entre vacinação e uso de camisinha é considerada a estratégia mais eficaz.

“A prevenção precisa fazer parte da festa. Vacina contra o HPV e camisinha formam uma dupla essencial não só para evitar o HPV, mas também outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e HIV. Levar os filhos para se divertir é importante, mas levá-los ao posto de saúde também salva vidas”, conclui a especialista.

Por Rebeca Costa, com informações da assessoria de imprensa