Fotos: Walterson Rosa/MS

O Ministério da Saúde apresentou, durante coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (16), os possíveis impactos do El Niño na saúde da população e as medidas adotadas para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para o período de seca e calor intenso. Na região Norte, a previsão é de estiagem prolongada, aumento das temperaturas e maior risco de queimadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, esse cenário pode contribuir para problemas como insegurança hídrica e alimentar, doenças respiratórias relacionadas à fumaça, doenças transmitidas pela água e aumento do risco de arboviroses, como dengue e chikungunya.

Durante a coletiva, o diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior, explicou que o governo federal vem adotando medidas para aumentar a capacidade de resposta do SUS diante dos eventos climáticos extremos. “O Ministério da Saúde organizou um plano, um programa para preparar o SUS para adaptação, para que haja um esforço tripartite de adaptação e resiliência dos sistemas de saúde. Quase 10 bilhões de reais estão sendo investidos pelo Ministério da Saúde para preparar as estruturas para a resiliência climática, um plano que contém quase 100 ações, com 27 metas e planejamento de médio e longo prazo.”

Na Amazônia, a seca dos rios também pode dificultar o deslocamento de comunidades e o acesso aos serviços de saúde. Para enfrentar o cenário, o Ministério mantém ações de monitoramento climático e prepara estratégias específicas para cada região do país.

Segundo Nilton, a situação da Amazônia exige atenção especial devido à possibilidade de uma estiagem intensa acompanhada de ondas de calor e queimadas. “A Amazônia, nós sabemos que teremos um aumento da seca, provavelmente uma das piores estiagens da série histórica, consequentemente também ondas de calor e queimadas. Por isso mesmo, o Ministério da Saúde vem se organizando de forma regional. Nós estamos olhando para cada uma dessas demandas.”

Entre as ações previstas para a região Norte estão a atuação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), localizados em Belém e Santarém, além da implantação de bases regionais da Força Nacional do SUS em Belém, Manaus e Porto Velho. As estruturas auxiliam no monitoramento dos riscos e na preparação da rede de saúde para situações de emergência.

As medidas fazem parte do AdaptaSUS, plano do Ministério da Saúde voltado à adaptação da rede pública aos impactos das mudanças climáticas. A iniciativa prevê ações até 2035 para fortalecer a capacidade de resposta do SUS e ampliar a proteção das populações mais vulneráveis.

Por Sarah Carreiro, estudante de jornalismo da UNAMA, com supervisão do jornalista Dilson Jr