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O interesse pelos livros vem ganhando espaço entre diferentes públicos no Brasil. O aumento aparece tanto entre leitores que já possuem o hábito quanto entre pessoas que passaram a buscar novas obras, impulsionadas por recomendações, redes sociais e comunidades de leitura.

De acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData, 18% da população brasileira com 18 anos ou mais comprou pelo menos um livro em 2025. O número representa um crescimento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior e cerca de três milhões de novos compradores.

Para Alessandra Cereja, coordenadora do curso de Pedagogia da UNAMA – Universidade da Amazônia, o crescimento no consumo pode contribuir para o desenvolvimento de novos leitores.

“O aumento no consumo de livros representa um avanço significativo para a formação de novos leitores, especialmente entre crianças e jovens, pois evidencia um maior interesse pelo conhecimento, pela imaginação e pelo desenvolvimento do pensamento crítico. A leitura amplia repertórios culturais, fortalece habilidades de comunicação e contribui para a construção da autonomia intelectual.”

Entre os jovens, a internet também tem ganhado espaço na descoberta de novas obras. A pesquisa aponta que as faixas de 18 a 34 anos tiveram, juntas, crescimento de 3,4 pontos percentuais no consumo de livros em relação a 2024. Redes sociais, recomendações e comunidades virtuais ajudam a aproximar esse público da literatura.

De acordo com Sarah Cardoso, vestibulanda e leitora, esse contato com outros leitores na internet influencia diretamente suas escolhas. “As redes sociais e as páginas de leitura influenciam bastante as minhas escolhas, principalmente quando vejo recomendações, resenhas ou pessoas comentando sobre algum livro. A internet facilita muito a descoberta de novas obras e incentiva bastante o hábito de ler, porque desperta a curiosidade e o interesse pelos livros.”

O levantamento também mostra que os livros de colorir tiveram destaque entre os consumidores. Cerca de 11 milhões de adultos compraram pelo menos um exemplar, o equivalente a 7,1% da população adulta e a 40% dos consumidores de livros. Os dados mostram que o interesse pelo mercado editorial pode partir de diferentes gêneros, formatos e experiências de leitura.

Para transformar esse interesse em um hábito permanente, a participação da escola e da família também é importante. Segundo Alessandra, o contato com os livros precisa ultrapassar o ambiente escolar e fazer parte da rotina.

“A consolidação do hábito da leitura depende de uma ação conjunta entre escola e família. As instituições de ensino podem promover projetos de incentivo à leitura, rodas de conversa, clube do livro, feiras literárias e práticas pedagógicas que tornem a leitura uma experiência prazerosa e significativa. Já as famílias desempenham um papel essencial ao reservar momentos para a leitura em casa, oferecer livros adequados à faixa etária e, principalmente, atuar como exemplo.”

Além das iniciativas de incentivo à leitura, o público conta com opções gratuitas de acesso a livros digitais. Entre elas está o MEC Livros, biblioteca digital do Ministério da Educação (MEC) que disponibiliza obras literárias gratuitamente para estudantes, professores e leitores em geral.

A plataforma permite o empréstimo temporário de e-books, com prazo de 14 dias, e pode ser acessada por computadores, tablets e celulares. O acesso é feito pela conta Gov.br e a plataforma também oferece recursos de acessibilidade. Para conferir o acervo e acessar a biblioteca, basta entrar no link: https://meclivros.mec.gov.br/

Por Sarah Carreiro, estudante de jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro