Buscar doces, como um pedaço de chocolate, para aliviar a ansiedade ou o estresse é um hábito comum entre muitas pessoas. O desejo, frequentemente associado ao conforto emocional, tem explicação científica e está relacionado à forma como o organismo reage diante de situações de tensão.
Quando o corpo enfrenta períodos de estresse, ocorre o aumento da produção de cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Esse processo faz com que o organismo busque alimentos ricos em açúcar e gordura como forma de obter energia rapidamente e aliviar, ainda que de forma momentânea, os sintomas provocados pela ansiedade.
Para Lorena Falcão, professora dos cursos de Nutrição e Gastronomia da UNAMA – Universidade da Amazônia, o cérebro associa o chocolate a uma resposta rápida de prazer e conforto. “O estresse e a ansiedade elevam os níveis de cortisol, que é um hormônio do estresse no nosso organismo, e, por consequência, reduzem neurotransmissores ligados ao prazer, como a serotonina. Então, nosso cérebro, que é muito esperto, vai lembrar que o chocolate ativa esse sistema de recompensa de uma forma meio que instantânea.”
Além da sensação de conforto, o chocolate contém substâncias como triptofano e compostos presentes no cacau que estimulam a produção de serotonina e dopamina, neurotransmissores ligados à sensação de prazer e bem-estar. No entanto, especialistas alertam que os benefícios variam de acordo com a composição do alimento, sendo os chocolates com maior teor de cacau os que apresentam melhores propriedades nutricionais.
Segundo Lorena Falcão, existem chocolates que oferecem mais benefícios à saúde e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. “A partir de 70% de cacau na presença desse produto chocolate, você já consegue receber benefícios dos antioxidantes, além de magnésio. E vão satisfazer a saciedade para o doce também”, explicou.
Embora o chocolate possa fazer parte de uma rotina alimentar saudável, o controle da ansiedade envolve outros fatores, como alimentação balanceada, prática de atividade física, qualidade do sono e acompanhamento profissional quando necessário. O consumo consciente do alimento permite aproveitar seus benefícios sem que ele se torne uma compensação para questões emocionais.
Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro