Garimpar roupas em brechós deixou de ser apenas uma alternativa para economizar. Nos últimos anos, o mercado de peças de segunda mão vem conquistando novos consumidores impulsionado pelo consumo consciente, pela valorização da moda vintage e pela busca por roupas exclusivas. Além de prolongar a vida útil das peças, os brechós contribuem para a chamada economia circular, modelo que incentiva o reaproveitamento de produtos e reduz o descarte de resíduos na indústria da moda.
Considerada uma das atividades econômicas que mais geram impactos ambientais no mundo, a indústria da moda responde por cerca de 8% a 10% das emissões de carbono e gera aproximadamente 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP).
Esse cenário tem provocado mudanças no comportamento dos consumidores, que passam a buscar alternativas mais sustentáveis. Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil já possui 118 mil brechós em funcionamento e a procura por esse tipo de estabelecimento continua crescendo, estimulada pela busca por preços mais acessíveis, sustentabilidade e peças com identidade própria.
A tendência também acompanha o fortalecimento da moda vintage. Roupas produzidas em décadas passadas voltaram a ganhar espaço nas passarelas, nas redes sociais e no cotidiano dos consumidores, que enxergam nessas peças uma forma de expressar personalidade e fugir da produção em massa.
Para Felícia Assmar Maia, coordenadora do curso de Moda da UNAMA – Universidade da Amazônia, a moda circular amplia o tempo de vida das roupas e reduz o descarte de peças. “Então, o objetivo é dar uma nova vida para aquela peça, ou dar uma vida longa para a roupa. E logicamente, que o consumo de brechó, ele faz com que essas peças elas circulem”, explicou.
Na Região Norte, o crescimento dos brechós acompanha essa mudança de comportamento. Lojas físicas e perfis em redes sociais voltados à venda de roupas de segunda mão têm conquistado consumidores interessados em peças exclusivas, preços acessíveis e alternativas ao consumo tradicional. Além da sustentabilidade, o segmento também movimenta pequenos empreendedores e fortalece a economia local.
Segundo Cássia Meireles, gestora do brechó Eco Stylus, a procura por peças de segunda mão é motivada principalmente pela exclusividade e pelos preços mais acessíveis. “Porque a peça que você compra no brechó, você não vai encontrar outra pessoa vestida. Então, é o primeiro motivo dos clientes buscarem brechó. Mas o preço é algo que também é muito significativo”, destacou.
A expansão dos brechós reflete as transformações nos hábitos de consumo e no mercado da moda. Ao incentivar a reutilização de roupas e ampliar o tempo de uso das peças, o segmento alia sustentabilidade, geração de renda e consumo consciente, consolidando a moda circular como uma alternativa cada vez mais presente no Brasil e na Região Norte do país.
Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro