Foto: Daniel Magno/MPEG

A sede do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, recebe a exposição “Quando o museu é rio”, a partir da próxima sexta-feira (26), como um desdobramento do projeto “Um rio não existe sozinho”, elaborado no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém.

A mostra ficará em cartaz até o dia 16 de agosto e tem o objetivo de enfatizar a atuação histórica da instituição científica na Amazônia e as discussões contemporâneas acerca da classificação e reorganização de acervos etnográficos e biológicos. Entre as peças exibidas está a reprodução da urna funerária Aristé, feita em oficina no Museu Goeldi, produzida com ceramistas do Pará e do Amapá, durante o projeto “Replicando o Passado”.

O projeto, cujo propósito é investigar o papel contemporâneo das instituições voltadas à memória, à ciência e à produção de conhecimento sobre a Amazônia, tem a curadoria de Ana Roman e Sabrina Fontenele, respectivamente, a superintendente artística e a curadora do Instituto Tomie Ohtake; e de Vânia Leal, pesquisadora e mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura, com atuação na região Norte.

Já os pesquisadores do Museu Goeldi, Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, assinam a curadoria científica da exposição. Entre os artistas convidados estão Déba Tacana, Elaine Arruda, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa, além do Estúdio Flume.

Segundo as curadoras da exposição, a imagem do rio, presente em “Um rio não existe sozinho” simboliza uma metáfora para pensar deslocamentos, encontros e transformações.

Diante desse contexto, a mostra sugere a observação do museu como um campo contínuo de relações entre território, ciência, espiritualidade e vida cotidiana – em que os acervos com registros do passado, na verdade, apontam para a construção de outros futuros.

Em texto coletivo sobre o Museu Emílio Goeldi, os pesquisadores responsáveis pela curadoria científica da exposição enfatizam a existência de um “museu-rio” ao abordarem a conexão entre pessoas, campos do conhecimento, territórios e entre o passado, presente e futuro.

Para o diretor da instituição científica, Nilson Gabas Júnior, a colaboração com o Instituto Tomie Ohtake possibilita que o Museu Emílio Goeldi dê continuidade à tradição de unir arte e ciência na transmissão de saberes.

Seminário “Quando o museu é: acervos e futuros”

Na quinta-feira (25) e na sexta-feira (26), o Instituto Tomie Ohtake também abre as portas para a realização do seminário “Quando o museu é: acervos e futuros”, que envolverá a participação de pesquisadores, artistas, curadores, gestores e profissionais de museus para um diálogo sobre as transformações das instituições museológicas.

Organizada em parceria com o Museu Goeldi e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, a programação articula discussões sobre patrimônio, coleções etnográficas, arqueológicas e científicas, práticas curatoriais, circulação de acervos e processos de criação artística, além de promover mesas-redondas.

A proposta é aproximar as vivências desenvolvidas na Amazônia e em outras instituições culturais e universitárias do Brasil. A abertura da exposição “Quando o museu é rio” ocorrerá em meio à programação do seminário, que começa dia 25 de junho, a partir das 14h.

Para mais informações, acesse o site oficial do Instituto Tomie Ohtake.

Por Isabella Cordeiro