Os cágados, conhecidos na Amazônia como tracajás, foram adicionados na lista brasileira de fauna ameaçada de extinção pela primeira vez. Alimento tradicional para as comunidades da região, o cágado-iaçá (Podocnemis sextuberculata) teve seu status alterado de quase ameaçado para em perigo em novo relatório divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Embora existam programas de proteção e esforços de conservação, as populações de cágado-iaçá diminuíram mais de 50% no estado do Amazonas e no oeste do Pará nos últimos 36 anos, representando cerca de 70% da distribuição total da espécie – o que leva o animal a entrar na classificação em perigo, segundo o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O cágado-iaçá é uma das menores espécies do gênero Podocnemis e é bastante consumido pelos povos ribeirinhos e indígenas da região Norte do Brasil, juntamente como o cágado-tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), que ainda se encontram em um nível menor de preocupação para o ICMBio.
Presentes na região amazônica e em outros biomas, o jabuti-piranga (Chelonoidis carbonarius) e o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus) foram reclassificados como vulnerável e em perigo, respectivamente. Ainda de acordo com o ICMBio, essas espécies são amplamente adotadas como animais de estimação em vários locais do Brasil.
Na Amazônia, em 2026, o total de espécies da fauna que estão ameaçadas de extinção é 214. Ao todo, no país, 780 espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres estão na lista publicada em junho deste ano. Quando adicionados os peixes e invertebrados aquáticos divulgados em abril, o total de espécies ameaçadas sobe para 1.280.
Por Isabella Cordeiro, com informações da Mongabay Brasil