O escalpelamento ainda é uma realidade que exige atenção e prevenção na região amazônica. O mês de agosto é dedicado à conscientização sobre o tema, e o debate ganha força com a proximidade do Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, celebrado no dia 28 de agosto.
Com o tema Cuidado, Prevenção e Direitos, Construindo Redes para a Proteção da Vida, o Seminário Amazônico de Prevenção ao Escalpelamento foi realizado na UNAMA Alcindo Cacela.
E o encontro também carrega uma história de Ana Paula Sarmanho, coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da IES. Ela foi aluna da instituição e hoje está à frente do curso que trouxe novamente o seminário para a UNAMA.
“E depois que eu assumi a coordenação do curso de Terapia Ocupacional, eu trouxe esse resgate, essa memória afetiva tão importante de um momento lá atrás que eu participei, que eu também doei, e iniciou esse momento de a gente retomar”, afirmou.
Falar sobre o escalpelamento também é ouvir quem passou por essa experiência. Anny Almeida, palestrante, foi vítima do acidente há 25 anos e hoje usa a própria história para levar informação e orientar sobre prevenção.
“Eu sofri esse acidente há 25 anos, até o momento já passei por 39 cirurgias, então é um evento de suma importância para repassar para os alunos o que é esse acidente, como prevenir, como é a vida após o acidente, porque muda totalmente a vida, porque a vítima além de carregar muitos traumas, sequelas, ela ainda é condenada a um tratamento para o resto da vida”, conta.
E as consequências podem ir além das marcas físicas. Jureuda Guerra, psicóloga da Santa Casa, acompanha essa realidade e explica como funciona o atendimento às vítimas e a atuação dos profissionais nesse processo de cuidado.
“O acidente é multifatorial, como acontece, por que acontece, a embarcação precisa estar coberta, precisa de fiscalização, precisa de políticas públicas, precisa de uma série de coisas”, reforça.
O cuidado também passa pela assistência e pelo acesso aos serviços. Maria Luzia de Matos, assistente social, fala sobre os cuidados e orienta onde as vítimas podem buscar atendimento e apoio.
“A gente vem trabalhando no SUS, através da Secretaria de Saúde e a Santa Casa, toda a prevenção do escalpelamento, não só a prevenção, como a assistência. A Santa Casa é responsável pelo acompanhamento das vítimas do escalpelamento. Ela faz toda a assistência à saúde, mas nós trabalhamos com uma equipe multidisciplinar e a Terapia Ocupacional tem tudo a ver com o acompanhamento dessas pacientes”, destaca.
E o alerta não se limita às embarcações. Anny Almeida reforça que outras situações também podem provocar o escalpelamento.
“A gente já não tem histórico só por embarcações. Já temos com ventiladores, com tratores, máquinas de açaí, e com todas as motos ou máquinas que tenham espaços rotativos, que podem pegar o cabelo, a pessoa pode ter cuidado, fazer um pitó no cabelo, colocar uma roupa, um boné, ficar principalmente longe desses espaços rotativos para que não esteja acontecendo esse acidente”, reforça.
Prevenir é conhecer os riscos e adotar os cuidados necessários. Neste 28 de agosto, o alerta ganha força, mas a prevenção precisa fazer parte da rotina durante todo o ano.
Ouça a reportagem completa de Bianca Souza: