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Pesquisas e relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os jovens de 18 a 24 anos estão entre as faixas etárias mais vulneráveis a transtornos mentais. Embora a prevalência de ansiedade seja estatisticamente maior entre o público feminino, homens jovens enfrentam desafios severos.

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), jovens entre 15 e 29 anos representam mais de 60% das internações hospitalares por motivos de saúde mental. Renato Dias, um jovem estudante de Belém de 22 anos que decidiu abrir o coração e falar sobre o que muitos silenciam: a luta diária contra a ansiedade. Uma história que é um lembrete de que a ansiedade não escolhe idade, gênero ou status social.

“Sempre fui uma pessoa um pouco ansiosa, mas nunca algo que fosse me prejudicar. Só que de uns tempos para cá, com as situações pessoais da vida, acaba que tá acabando muito com o meu desempenho na faculdade, o meu desempenho na, enfim, na vida pessoal também”, relata o jovem.

A pressão da sociedade, a globalização e as redes sociais contribuem para um aumento expressivo da ansiedade masculina. A psicóloga clínica, neuropsicóloga e diretora ocupacional do município de Ananindeua, no Pará, Cristiane Tenório, relata que um dos sinais mais frequentes entre a ansiedade é o isolamento.

“A pessoa já não vai mais para as reuniões, já não quer mais receber ninguém em casa. Você começa a perceber que a pessoa já não está com uma higiene pessoal da maneira que era. O cuidado pessoal com o cabelo, com a roupa, com o modo de se vestir, a maneira de falar, a pessoa se torna mais irritada, mais impaciente. Tudo isso são sinais de possíveis transtornos depressivos ou de ansiedade”, descreve.

A psiquiatra Ana Carolina Silva explica por que o transtorno de ansiedade é uma doença sistêmica, com sintomas físicos e psíquicos, e defende o trabalho em conjunto entre médicos e psicólogos. “A psiquiatria e a psicologia não só devem, como têm que trabalhar juntas porque, de fato, muitas vezes o psicólogo vai ser o primeiro a ser acionado, algumas vezes é o suficiente e tantas outras não”, explica.

Ana Carolina Silva explica por que a prescrição médica é tão importante. Muitas vezes só a terapia não resolve. Em casos mais graves, a medicação é imprescindível para o paciente voltar a trabalhar, estudar e viver.

“Se eu já não consigo trabalhar, não consigo estudar, não consigo brincar com os meus amigos porque eu estou sempre em alerta, eu acabo ficando mais impaciente, mais irritado. E aí a medicação é necessária pelo óbvio e para que ele também, pegando o link aqui com o colega da psicologia, para que ele também aproveite melhor a psicoterapia”, afirma.

O estudante Renato Dias expõe a preocupação do dia a dia e a pressão que toma conta através das expectativas da vida. “Eu não tenho mais humor para nada, às vezes não consigo nem ir para a faculdade porque eu fico ansioso pensando que eu tenho que dormir cedo, acabo não dormindo cedo por conta disso. E eu perco muito o meu sono. Eu não consigo dormir, aí depois que eu durmo, não consigo mais acordar. Aí eu fico ansioso porque eu não acordei e no fim não fui para a faculdade”, conta.

Segundo a especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, profissional em saúde mental e professora da UNAMA – Universidade da Amazônia, Daniela Américo, são muitos os fatores que influenciam o aumento dos índices de ansiedade entre jovens.

“Seja por conta do aumento dos estímulos que nós estamos tendo por conta das telas na atualidade, ou por conta do aumento das cobranças na nossa sociedade, principalmente entre homens jovens. Homens jovens são cobrados da funcionalidade, de estarem no mercado de trabalho, de não demonstrar fraqueza, de se fazerem presentes para as suas famílias, para os seus amigos sempre, de estarem muitos disponíveis para tudo a qualquer momento”, destaca.

Ouça a primeira parte da reportagem de Izabel Chaves para a Rádio UNAMA FM:

Texto: Izabel Chaves / Edição: Heraldo Cruz