O Mestre Manoel Cordeiro completa 71 anos neste domingo, 8 de novembro, e vai comemorar com edição especial do “Baile do Papai”, tradicional festa que ele realiza em Belém e São Paulo. A Casa Apoena vai receber o baile com participações do Clube da Guitarrada, Lambada Social Club, Alba Mariah, Nayara Guedes, Júlia Passos, entre outros.
Manoel Cordeiro comenta como é chegar aos 71 anos com a mente ativa e ainda querendo fazer muito mais pela música.
“Completar 71 anos de idade é uma sensação muito legal. Você começa a refletir sobre a sua vida, né? Quase 60 anos de carreira, as suas realizações, as suas produções, as suas obras, mas, também, pensa no que ainda tem que fazer. E esse ano é um ano, pra mim, muito motivador, porque eu recebi um título de patrimônio cultural e imaterial do Estado do Pará, através de um projeto da deputada Lívia Duarte, ao qual eu sou muito grato pela sensibilidade que ela teve. Eu quero dizer que eu estou muito otimista, pra continuar trabalhando, pra continuar realizando. Ainda temos muitas coisas para realizar”, afirma.
Filho de Ponta de Pedras, no Marajó, criado em Macapá, Manoel cresceu em família musical. Neto do Maestro Manoel Firmino, filho de Raimundo e Jubertina, que também eram músicos, ele estreou aos 12 anos na rádio Educadora, de Macapá. Aos 18, veio para Belém para ser músico, passou dez anos como bancário, até voltar de vez para sua verdadeira paixão: a música. Aos 59 anos de carreira, produziu cerca de mil álbuns, incluindo sucessos de Beto Barbosa, Warilou, Carrapicho e Fafá de Belém.
Manoel Cordeiro comenta que as experiências de ouvir músicas de todas as vertentes moldaram a sua trajetória.
“Essa vivência que eu tinha de música de todos os estilos, fez com que, cada disco que eu gravava, eu experimentasse algo que eu já tinha ouvido. E isso foi, aos poucos, criando uma estética sonora bem legal, que deu muito certo. Vários artistas que eu gravei venderam milhões de cópias: Beto Barbosa, Alípio Martins, Grupo Carrapicho, e todas as suas vertentes musicais a gente trabalhou. Então, eu acho que o fato de ter chegado a gravar mil discos, muitos com muito sucesso, foi dessa experiência que eu tive, em banda de baile, e nos estúdios sempre experimentando coisa nova e, principalmente, respeitando o viés cultural que contém cada ritmo. Por exemplo, quando eu gravo carimbó, eu entendo que o carimbó tem um viés cultural, portanto, não é mero entretenimento, é também entretenimento, mas tem um viés cultural. Eu acho que a música, quando tem um viés cultural, e você, quando toca, grava, faz arranjo, compõe, respeita esse viés cultural, ela tem mais chance de chegar a mais pessoas. Nunca perdendo de vista que música é comunicação social”, conclui.
Este ano Manoel Cordeiro Cordeiro lançou o quarto álbum solo, “Te Dou um Norte”, e participou do Ano Cultural Brasil-China, em Xangai, ao lado do filho Felipe Cordeiro, que relata o Manoel como um farol da música brasileira.
“O meu pai é um farol da nossa cultura, da nossa música, e tanto o pai, meu pai, que é muito guerreiro, muito lutador, desbravador mesmo, como eu já falei, merece 71, merece chegar em 100, cento e poucos anos, porque ele tem uma alma muito merecedora da vida.”

O “Baile do Papai – Especial” será neste domingo, 8 de novembro, a partir das 16h, na Casa Apoena, na Rua São Boaventura, na Cidade Velha, em Belém. Os ingressos, através do site Sympla.
Pâmela Gomes, para o Radiojornal 30 Minutos.