Foto: Divulgação/Assessoria de comunicação

A ancestralidade e a resistência da cultura afro-brasileira chegam a Belém com o espetáculo “Gungas, Marimbas e Urucungos em Encantorias Ancestrais”. A montagem reúne capoeiristas, músicos e jovens de comunidades quilombolas do Maranhão em uma apresentação que percorre a história da capoeira e sua relação com diferentes manifestações culturais.

O espetáculo é a quarta apresentação da turnê nacional do projeto “Mandingas e Mandingueiros no Caminho da Ancestralidade”, realizado pelo Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã, do Maranhão, em parceria com o Ministério da Cultura e com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet. A proposta foi selecionada entre mais de oito mil projetos culturais inscritos na seleção pública da Petrobras Cultural.

Segundo o mestre de capoeira angola e diretor artístico do espetáculo, Kleber Umbelino Lopes Filho, conhecido como Mestre Bamba, a apresentação busca valorizar a capoeira como expressão de resistência. “A gente vem com esse espetáculo exaltar a capoeira, em especial, a Capoeira Angola. É um espetáculo onde a gente proporciona aos jovens de comunidades quilombolas o protagonismo, para que eles possam escrever a sua própria história.”

A montagem tem duração de uma hora e utiliza o berimbau como um dos principais elementos da apresentação. Os termos “gunga”, “urucungo” e “marimba” também são usados para identificar o instrumento, que se une à dança, ao canto e à teatralidade. O espetáculo ainda reúne referências ao Tambor de Crioula, Bumba Meu Boi, Samba e tradições de matriz africana.

De acordo com Mestre Bamba, a construção da apresentação também está ligada aos ensinamentos recebidos de seus mestres de Capoeira Angola e à transmissão desses conhecimentos entre diferentes gerações. “Eu já perdi os meus dois mestres e o que eu posso fazer é estar honrando o legado deixado. A importância da capoeira angola nessa construção do espetáculo foi tudo, porque foram encantamentos que eu tive com os meus mestres.”

Há quase 30 anos, o Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã desenvolve ações socioculturais em São Luís e, há cerca de uma década, atua em comunidades quilombolas do Maranhão. A instituição utiliza a capoeira como ferramenta de educação, inclusão social e valorização das culturas afro-brasileiras, incentivando crianças e jovens a conhecerem e fortalecerem suas próprias raízes.

Para o Mestre Bamba, o trabalho desenvolvido nas comunidades também contribui para ampliar as possibilidades e os sonhos dos jovens quilombolas. “Hoje, com o trabalho da Capoeira Angola, a gente vem fortalecendo as suas culturas locais, fortalecendo os seus sonhos, os seus desejos e libertando esses jovens através do conhecimento, através de compartilhar saberes, para que eles possam cada vez ter mais força de escrever a sua própria história.”

Além da dimensão cultural, a capoeira exige preparo físico. Flexibilidade, equilíbrio, força muscular e resistência aeróbica são algumas das capacidades trabalhadas pelos praticantes. Os movimentos realizados próximos ao chão e as posições que exigem controle corporal fazem parte da preparação dos capoeiristas para a apresentação.

A apresentação “Gungas, Marimbas e Urucungos em Encantorias Ancestrais” será realizada na sexta-feira, dia 14 de agosto de 2026, às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa, em Belém. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados pela plataforma Sympla através deste link.

O espetáculo contará com audiodescrição e intérprete de Libras. Caso os ingressos se esgotem, o público ainda pode comparecer ao teatro, pois a organização poderá liberar novas entradas em caso de desistências. Mais informações estão disponíveis no Instagram.

Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro