Fruto nativo da Amazônia, o cupuaçu é um dos destaques da cultura alimentar há muitas gerações. Sua coleta está tradicionalmente associada ao extrativismo, tornando-se parte das famílias da região e ganhando novos caminhos com o desenvolvimento da pesquisa agropecuária.
Com o avanço do cultivo do cupuaçu, também surgiram alguns desafios, como o aumento da vassoura-de-bruxa – doença fúngica que afeta a cultura e provoca o crescimento desordenado dos frutos – nos pomares, impactando a produção e, consequentemente, a renda familiar.
Diante desse cenário, a ciência começou a investigar soluções para a doença. Após anos de pesquisa que reuniram conhecimento sobre o plantio e manejo do cupuaçu, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, desenvolveu cultivares com maior tolerância à vassoura-de-bruxa, contribuindo para a viabilidade da produção local.
Com um aroma forte e marcante, o cupuaçu é aplicado em sucos, polpas e derivados, além de ser um elemento fundamental na bioeconomia. Nesse setor, destaca-se a manteiga derivada do fruto presente na indústria dos cosméticos, aumentando as alternativas de consumo.
Em 2024, foi realizado o sequenciamento do genoma do cupuaçu, que gerou a identificação de mais de 31 mil genes, abrindo perspectivas para pesquisas e desenvolvimento tecnológico voltados à cultura e produção.
Os estudos também indicaram que os genes são capazes de resistir à vassoura-de-bruxa e revelaram bactérias de defesa natural, facilitando o melhoramento genético e a produção comercial sustentável – como ocorre em Tomé-Açu (PA), a partir do plantio de agricultores familiares.
Rico em antioxidantes e fibras, o cupuaçu também possui alto valor nutricional. Embora não seja tão conhecido no resto do Brasil, é comum encontrar o fruto em mercados da região Norte do país na forma de geleias, bombons artesanais, recheios de bolos, licores e sorvetes, comprovando seu potencial comercial e diversidade de consumo.
Por Isabella Cordeiro