Foto: Wagner Santana/Diário do Pará

Reconhecidos como símbolo nacional, os Telefones de Uso Público (TUP) são popularmente chamados de “orelhões” e foram implementados inicialmente nas cidades Rio de Janeiro e São Paulo em 1972, pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Com qualidade acústica inovadora e design único, as cabines telefônicas alcançaram o resto do Brasil durante a década de 1970 por tornarem a comunicação acessível e caíram em desuso devido à popularização dos telefones celulares.

A desativação e retirada dos equipamentos ocorre em todo o território nacional desde a última década e de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), todos os dispositivos de Belém foram removidos durante 2024 e 2025. Contudo, algumas carcaças espalhadas pela cidade mantêm a memória desta era tecnológica intacta.

Muitas delas são pichadas e vandalizadas, e apesar de eternizarem momentos, as manutenções e conservações se tornaram escassas por dependerem das antigas concessionárias de telefonia. O Bosque Rodrigues Alves é um símbolo deste cuidado, pois expõe três delas como peças de arte por representarem elementos culturais: uma arara azul, uma cuia de açaí e um cupuaçu.

Além dos aparelhos, os “Cartões Indutivos” eram usados para a realização das chamadas após o desuso das fichas e são fundamentais para a preservação desta herança. Ao integrarem ilustrações sobre fauna e flora, manifestações culturais, pontos turísticos e elementos gastronômicos, tornaram-se registros históricos colecionáveis que proporcionavam à população brasileira a cultura regional de outras localidades.

No Pará, apesar dos avanços tecnológicos, cerca de 580 aparelhos ainda funcionam em regiões com pouca cobertura de telefonia móvel, que podem continuar operando até dezembro de 2028, caso as localizações não recebam maior amparo telefônico.

Mesmo que determinadas regiões não possuam os pontos de venda de “Cartões Indutivos” e recebam a gratuidade para chamadas locais e nacionais pelas operadoras, os “orelhões” ainda fazem parte da realidade de alguns brasileiros. Para outros, agora pertencem somente às lembranças de uma era nostálgica.

Por Maysa Sarraf, aluna de Jornalismo da UNAMA, sob supervisão da jornalista Isabella Cordeiro