Embora já tenham sentido os impactos da ação humana, como queimadas ou corte seletivo de árvores, as florestas primárias – que nunca foram desmatadas – são as maiores guardiãs da biodiversidade amazônica, aponta um estudo liderado por pesquisadores do Brasil e do Reino Unido.
Após a comparação dos efeitos de atividades humanas sobre a diversidade de plantas de diferentes composições florestais da Amazônia ao longo do tempo, os cientistas constataram que as florestas primárias abrigam uma quantidade maior de espécies em relação às que se regeneraram depois de terem sido derrubadas.
A pesquisa, que obteve os resultados publicados na revista Global Change Biology, reforça a importância de frear o avanço do desmatamento na região – incentivando também a regeneração de áreas anteriormente devastadas. Segundo os pesquisadores, as florestas secundárias não conseguem repor a biodiversidade das matas originais que foram perdidas.
No Pará, foram catalogadas cerca de 55 mil árvores em duas regiões situadas em Paragominas e Santarém, representando quatro tipos de florestas: primárias que não sofrerem distúrbios; primárias que tiveram corte seletivo de árvores (retiradas apenas as espécies de maior valor comercial); primárias que sofreram corte seletivo e queimadas; e florestas secundárias, resultantes da regeneração natural de uma área totalmente desmatada anteriormente.
Quando comparados os dados entre as áreas, os cientistas observaram que as modificações humanas explicam 55% da variação na diversidade de espécies e 42% da diferença na composição das florestas. A maneira como se mede a diversidade (espécies, grupos funcionais ou linhagens evolutivas) e o tamanho das árvores explicam somente cerca de 5% das diferenças.
A região amazônica abriga até 16 mil espécies de árvores e um único hectare contém mais de 300. Em comparação, toda a Europa possui cerca de 450 espécies nativas de árvores.
Conservação florestal
A análise comparativa entre florestas intocadas e as que sofreram os impactos de atividades humanas indica que a exploração seletiva de madeira, tida como uma forma de manejo sustentável, ainda afeta profundamente a diversidade de árvores.
Durante a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP30), realizada em Belém, em novembro de 2025, foi estabelecido um fundo global para financiar a conservação de florestas tropicais: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, em inglês).
Para os autores da pesquisa, mecanismos como esse são fundamentais para assegurar que as florestas sejam mantidas em pé em vez de devastadas para a exploração de atividades econômicas responsáveis pelo avanço da crise climática e da biodiversidade.
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Fonte: André Julião | Agência FAPESP
Por Isabella Cordeiro