Foto: Julie Van Collie

Uma nova espécie de felino selvagem foi identificada nas florestas da Bolívia, na região conhecida como Yungas, onde a Amazônia se encontra com os Andes. Com jeito de onça em miniatura, o tilcayo (Leopardus ticayo) é a primeira espécie atual descrita pela ciência em mais de 100 anos, em um estudo liderado por cientistas brasileiros.

O seu nome de batismo é usado para designar gatos-do-mato em algumas localizações da América do Sul. De forma misteriosa e bastante curiosa, o animal sabe se esconder. O seu habitat cobre vales profundos e encostas vertiginosas, o que justifica a região ter sido deixada de lado por antigos naturalistas, responsáveis pela descrição de grande parte dos felinos sul-americanos.

O primeiro gato-do-mato tem registros pertencentes ao século XVIII e ainda há pouquíssimas evidências sobre o tilcayo, selvagem como as florestas por onde vive. O felino possui hábitos noturnos, é considerado arredio e sobrevive em um ambiente sob pressão de seres humanos – em decorrência da caça, abertura de estradas e mineração.

Publicado na revista científica Current Biology, o trabalho aborda uma nova compreensão sobre a diversidade de um grupo de gatos-do-mato conhecido em inglês “tiger cats”. A pesquisa ainda revela que o conjunto de felinos selvagens da América do Sul, na realidade, é composto por cinco espécies diferentes, uma delas dividida em duas subespécies.

Histórico da descoberta e a importância da conservação da espécie

A identificação de Leopardus tilcayo teve origem em um animal conhecido pelo apelido de “Tigrino”, quando acreditava-se que o felino era um exemplar de Leopardus tigrinus.

Encontrado ainda filhote, em 2016, teve sua genética avaliada e os resultados indicaram que o animal não pertencia à espécie imaginada, mas representava uma linhagem evolutiva distinta, até então, não reconhecida cientificamente.

O “Tigrino”, como ficou conhecido, passou a ocupar um papel de destaque na descrição da nova espécie. O animal se tornou o espécime físico de Leopardus tilcayo, sendo o exemplar oficial da espécie em sua descrição científica.

Além de ampliar o conhecimento sobre a evolução de felinos sul-americanos, a descoberta implica a necessidade de conservação desses animais, que sofrem com ameaças relacionadas à perda e fragmentação de habitats, a caça e a transmissão de doenças por animais domésticos.

Algumas populações também ocupam ambientes especialmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, enquanto outras apresentam baixa diversidade genética, condição que pode reduzir a capacidade de resposta e adaptação dos animais às alterações.

Sendo assim, a partir da constatação de que o grupo é formado por cinco espécies distintas, a pesquisa destaca a urgência de medidas de proteção que também considerem as particularidades das espécies encontradas.

Por Isabella Cordeiro