Imagine ouvir uma palavra e entender outra, ou precisar pedir que alguém repita a informação, principalmente quando há barulho ao redor. Essas situações podem fazer parte da rotina de quem tem Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC). A fonoaudióloga Marília Costa, especialista em audiologia, explica sobre o transtorno e os sintomas que merecem atenção.
“Alguns desses sinais que podem ser iniciados na infância e se perpetuar na vida adulta, caso não tenha um tratamento, é a dificuldade de compreender a informação verbal em ambientes barulhentos, a compreensão de instruções complexas, o cansaço, o esgotamento mental após uma reunião longa, a confusão entre sons parecidos, palavras parecidas, como faca, vaca”, destaca.
Na infância, como explica a especialista, o transtorno pode causar prejuízos ao aprendizado escolar, em que a criança pode apresentar dificuldades de compreensão da informação auditiva e dificuldade na leitura e na escrita.
“Isso pode se perpetuar na fase adulta, com impactos que vão modificar esse ambiente de trabalho, dificuldade de reuniões em grupos, ligações telefônicas. O adulto sempre vai ver uma maneira de compreender aquela informação verbal, mas ele vai fazer isso com muita dificuldade”, afirma.
Os primeiros sinais podem aparecer ainda na infância e nem sempre são identificados. Dificuldades para acompanhar explicações, entender instruções ou diferenciar alguns sons, podem ser confundidas com desatenção ou dificuldade de aprendizagem.
“A pessoa que tem dificuldade para entender a fala em ambientes barulhentos, como um restaurante, por exemplo, ou um shopping, pode sim ter o transtorno do processamento auditivo”, pontua.
Segundo a fonoaudióloga, a avaliação médica é indicada sempre que a pessoa tiver problemas para interpretar sons, entender a fala em ambientes com muitos ruídos, e de repetição constante, ou ter qualquer outro tipo de dificuldade relacionada à escuta, no sentido de troca ou não compreensão.
“Se faz necessário, então, procurar um otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo para fazer uma avaliação bem complementar, e com os fins de, chegando nesse diagnóstico, fazer um tratamento adequado. O TPAC tem tratamento e isso vai trazer muita melhora na qualidade de vida desse paciente”, conclui.
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