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Ouvir uma música pode despertar lembranças, alterar o estado de ânimo e até provocar vontade de cantar ou se movimentar. Isso acontece porque o cérebro não processa a música apenas como uma sequência de sons. Diferentes áreas são ativadas durante a experiência, envolvendo funções relacionadas à audição, memória, emoções e movimento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as manifestações artísticas e culturais estão relacionadas à saúde física e mental. Nesse contexto, a música se destaca pela forma como pode estimular diferentes áreas do cérebro e interferir em processos ligados às emoções, à memória e ao comportamento.

Segundo o psicólogo e responsável técnico de Psicologia da UNAMA Gentil, Ítalo Torres, a resposta do organismo começa pela percepção do som e envolve regiões relacionadas às emoções e às memórias. “Quando a gente fala sobre música, a gente está falando sobre tudo aquilo que é carregado de história, de afeto, de memória e o quanto que o nosso corpo registra esse momento. Sempre que ouvimos uma música importante, não lembramos só da letra. A gente lembra o que estavamos vivendo, sentindo e vivenciando em determinado momento.”

A música também pode estimular o sistema de recompensa do cérebro, relacionado à sensação de prazer. A dopamina está entre as substâncias envolvidas nesse processo, enquanto outras respostas do organismo podem variar de acordo com o ritmo e, principalmente, com a experiência de cada pessoa.

Para o psicólogo Glauber Santos, não é possível determinar que um estilo musical terá o mesmo efeito emocional em todas as pessoas. “Quando a gente fala de música no emocional, a gente precisa primeiro entender que a gente está sendo bem generalista. Tudo vai depender da vivência da pessoa, de como ela vai experimentar aquele ritmo, aquele estilo.”

A atuação da música na saúde também aparece em estudos sobre condições neurológicas. A Academia Brasileira de Neurologia destaca que a música pode ativar diferentes funções cerebrais simultaneamente e cita pesquisas sobre seu uso em pacientes com Alzheimer e Parkinson. Em pessoas com Parkinson, por exemplo, estímulos musicais rítmicos podem auxiliar na marcha e nos movimentos.

No campo da Psicologia, a música pode ser utilizada como recurso durante o atendimento. Ítalo explica que as canções podem ajudar o paciente a acessar sentimentos e experiências pessoais. “Eu uso bastante músicas em terapia, porque elas são um recurso essencial. É muito útil utilizar músicas como instrumento terapêutico, porque a música é aquela ponte entre afetos. Ela pode nos direcionar a algo, seja para sentar calados em uma roda, seja para ouvir em um almoço, seja para reconectar com a família.”

Assim, ouvir, cantar ou tocar música pode envolver diferentes funções do organismo ao mesmo tempo. Os efeitos variam conforme a atividade, o contexto e as experiências de cada pessoa, mas a ciência já reconhece a música como uma manifestação com potencial para contribuir com a saúde e o bem-estar.

Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro