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As redes sociais fazem parte da rotina de milhões de pessoas e transformaram a maneira de consumir conteúdo na internet. Com vídeos que duram poucos segundos e são apresentados continuamente pelos algoritmos, o usuário pode passar horas rolando a tela sem perceber. O consumo excessivo desse formato pode estar relacionado a dificuldades para manter a atenção em atividades que exigem mais tempo e concentração.

Segundo Erick Noborikawa, professor do curso de Psicologia da UNAMA Ananindeua, a exposição frequente a estímulos rápidos pode influenciar a forma como a atenção é utilizada no dia a dia. “O consumo excessivo de vídeos curtos, de fato, pode afetar a atenção e a concentração, até porque, hoje em dia, as pessoas, estão muito acostumadas a entrar em contato com esse tipo de estímulos de vídeos curtos, muitas informações, e passam de um vídeo para outro, sempre gerando mais prazer e satisfação.”

A dificuldade pode aparecer principalmente quando a pessoa precisa se dedicar a atividades mais longas, como estudar, ler um livro, assistir a um filme ou acompanhar uma aula. A exposição constante a conteúdos rápidos também pode estar associada a mudanças na rotina, principalmente entre crianças e adolescentes, que ainda estão em processo de desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais.

De acordo com Erick, alguns comportamentos podem indicar que o uso de vídeos curtos está deixando de ser apenas uma forma de entretenimento e começando a trazer prejuízos para a rotina. ”Alguns sinais de uma relação prejudicial com os vídeos curtos podem ser uma dependência em permanecer diante da tela. Às vezes, a pessoa passa horas e horas assistindo a esses conteúdos e, segundo pesquisas, esse excesso pode afetar o desenvolvimento neurológico e também o convívio social.”

Além das dificuldades relacionadas à atenção, o excesso de vídeos curtos pode interferir em outros momentos do cotidiano. Alterações no sono, queda no desempenho escolar, irritabilidade e dificuldade para se afastar do celular estão entre os sinais que merecem atenção. A forma como o conteúdo é consumido também ajuda a explicar por que pode ser difícil interromper a rolagem contínua.

Para o professor, a sensação de recompensa associada aos vídeos contribui para manter o usuário conectado por mais tempo. “Uma das coisas que dificultam parar de assistir os vídeos é justamente a grande liberação de dopamina que está relacionado ao ato de assistir os vídeos curtos. A dopamina é um neurotransmissor que está ligado a motivação, aprendizagem, a recompensas e prazer também.”

Reduzir o consumo não significa necessariamente abandonar completamente as redes sociais. Estabelecer limites de tempo, desativar notificações, afastar os aplicativos da tela inicial e substituir parte do tempo de tela por atividades como leitura, exercícios físicos, brincadeiras e momentos de convivência podem ajudar a diminuir o uso automático. A atenção aos hábitos digitais é especialmente importante para crianças e adolescentes, com acompanhamento de pais e responsáveis.

Por Sarah Carreiro, aluna de Jornalismo da UNAMA, com supervisão da jornalista Isabella Cordeiro