Foto: Divulgação/Nature

Um estudo publicado na revista Nature Sustainability utilizou imagens de sensoriamento remoto e dados de campo para o mapeamento no Território Indígena do Xingu. Segundo estimativas, os solos da região ocupam pelo menos 3% a 4% dos 26 mil quilômetros quadrados analisados e podem armazenar aproximadamente 9 milhões de toneladas de carbono.

O trabalho indica que a paisagem foi modificada pelos antigos habitantes muito além dos sítios arqueológicos mais conhecidos. A pesquisa, realizada em parceria entre pesquisadores europeus e brasileiros, incluindo cientistas das universidades federais do Acre e do Pará, é permitir um olhar para a Amazônia sem reduzir a civilização a prédios ou a urbanização propriamente dita – antes das avenidas, existem caminhos, áreas de produção e outras formas de ocupação.

A arqueologia amazônica encontrou evidências de que diferentes sociedades modificaram paisagens de forma bastante expressiva. Indícios de terra preta e a existência de canais, aldeias e redes de circulação apontam para planejamento, trabalho coletivo e conhecimento ambiental.

Porém, isso não significa projetar a modernização de cidade sobre o passado, mas reconhecer que a urbanização pode ter formas próprias. Uma comunidade pode organizar pessoas, alimentos e vivências fora dos moldes de uma metrópole contemporânea.

É importante destacar que nem toda ocupação antiga está igualmente documentada e muitos vestígios estão sob a vegetação ou em áreas menos estudadas. Sendo assim, novas pesquisas podem revisar interpretações anteriores e a ciência arqueológica propõe a possibilidade de que cada escavação, datação e análise de paisagem acrescente uma parte ao quadro.

O estudo mostra que o passado amazônico não deve ser visto como uma fantasia de cidades perdidas, tampouco como uma sucessão de comunidades desorganizadas. A melhor leitura é mais cautelosa e sugere que sociedades diversas fizeram escolhas próprias, transformaram espaços e deixaram marcas que permanecem sob observação.

Vestígios de civilização antiga na Amazônia

Outro estudo publicado na mesma revista aponta para a identificação de centenas de novos geoglifos na Amazônia com o uso da tecnologia LiDAR, ampliando significativamente a área conhecida de ocupação da antiga civilização Aquiry. Os dados também sugerem que a sociedade pode ter reunido entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes em seu auge, há cerca de dois mil anos.

A pesquisa foi coordenada pelo arqueólogo Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque, que há mais de 20 anos investiga essas estruturas no Acre. Segundo o pesquisador, os povos da Aquiry tinham uma visão de mundo em comum e construíam centros cerimoniais com diferentes formatos geométricos, marcados por fossos profundos e grandes aterros externos, estruturas conhecidas como geoglifos amazônicos.

Até o momento, cerca de 1.700 geoglifos já tinham sido identificados na região. Com a análise dos novos dados obtidos por meio do LiDAR, junto aos levantamentos realizados anteriormente, os pesquisadores concluíram que esse número corresponde apenas a uma pequena parte das estruturas que existem na área.

Por Isabella Cordeiro