O Zoológico da UNAMA – Universidade da Amazônia é um espaço que, além de possibilitar o contato com a natureza e a fauna amazônica, contribui para a conservação ambiental e da biodiversidade da região. Localizado em Santarém, na região Oeste do Pará, o ZooUNAMA ajuda na reabilitação e cuidados com os animais vítimas de maus tratos ou que sofreram algum tipo de acidente.
O biólogo, pesquisador e professor universitário Hipócrates Chalkidis, coordenador do ZooUnama, conta que o zoológico começou suas atividades em 1997, com o propósito de atender às aulas práticas dos alunos do curso de Ciências Biológicas, das antigas Faculdades Integradas do Tapajós. Segundo ele, o espaço foi idealizado como um ambiente de ensino, pesquisa e aproximação dos estudantes com os animais da Amazônia.
Com o passar do tempo, como explica o professor, o ZooUNAMA evoluiu em todos os aspectos: estrutura, área física, número de animais atendidos e alcance do público. Após deixar as dependências da UNAMA – Centro Universitário da Amazônia, considerando suas limitações naturais, o zoológico passou a contar com 82 hectares. “Esse crescimento permitiu ampliar nossas atividades de conservação, educação ambiental e atendimento à fauna silvestre”, diz.
Para Chalkidis, entre os desafios enfrentados nos primeiros anos de funcionamento do espaço, o maior deles foi crescer de maneira orgânica e sustentável em todos os sentidos. Desde o início, o objetivo era atingir cada vez mais pessoas, ajudando-as a compreender melhor a relação entre o ser humano e os animais silvestres.
Atualmente, cerca de 250 animais fazem parte do plantel de exposição do ZooUNAMA e a rotina é planejada para garantir o conforto de cada espécie, com alimentação prescrita pelos profissionais do local, acompanhamento veterinário e cuidados de manejo específicos. “Além disso, são realizadas atividades de enriquecimento ambiental, proporcionando bem-estar aos animais”, complementa o professor.
Cuidados com a fauna silvestre
Ao falar sobre a importância do zoológico para a região e para a conservação da fauna local, Chalkidis afirma que o ZooUNAMA se tornou referência no manejo de animais silvestres, especialmente do peixe-boi-da-Amazônia e de onças, espécies ameaçadas de extinção. Ele ressalta que o espaço funciona como um refúgio para a fauna de vida livre, que encontra no zoo um ambiente seguro, com alimento, abrigo e ausência de atividades como a caça.
Independentemente da origem ou de como os animais chegam até o zoológico, o intuito do espaço sempre será preservá-los e garantir o bem-estar de todos eles. Para isso, o ZooUNAMA realiza alguns projetos que visam a conservação da biodiversidade – considerada a principal missão do local.
Entre eles, destaca-se o manejo, reabilitação e soltura de peixes-bois-da-Amazônia, atividades que integram o Projeto Peixe-Boi, que exige conhecimento técnico, dedicação e investimentos constantes, segundo o professor. “O esforço é recompensado quando vemos esses animais retornarem ao seu habitat natural e recuperarem sua liberdade”, ressalta.
Desde cedo, o ZooUNAMA buscava proporcionar aos alunos dos cursos de Medicina Veterinária, Ciências Biológicas e áreas afins uma experiência prática de aprendizado e contato com esses animais. Hoje, várias aulas práticas de cursos e disciplinas são realizadas nas dependências do zoológico, explica Chalkidis.
“Durante essas atividades, os estudantes são acompanhados e orientados pela nossa equipe técnica, formada atualmente por dois médicos-veterinários e dois biólogos. Esses profissionais desempenham um papel fundamental no manejo dos animais, na conservação da fauna, na pesquisa científica e na formação acadêmica dos futuros profissionais”, afirma.
Orientações para os visitantes
O ZooUNAMA funciona de segunda a domingo, das 8h às 17h. Crianças de até 10 anos e pessoas com mais de 65 anos têm direito à gratuidade. Para os demais, o ingresso custa R$ 8,00 e pode ser pago em dinheiro, cartão de débito ou crédito (o espaço ainda não aceita pagamento via PIX).
Para que aproveitem melhor a visita, recomenda-se que os visitantes usem roupas leves e confortáveis, como bermuda e tênis, além de protetor solar e garrafinha de água. “Também reforçamos que não utilizamos materiais descartáveis, por isso incentivamos os visitantes a trazerem seus próprios recipientes reutilizáveis”, acrescenta o coordenador do espaço.
Para além da visitação, um legado de conservação
Ao explicar como funciona a visitação, o professor Chalkidis afirma que os peixes-bois e as onças costumam ser os animais que mais despertam a curiosidade dos visitantes. “São espécies carismáticas, enigmáticas e que fazem parte do imaginário de quem vive ou visita a Amazônia. Outros animais também conquistam a atenção do público, como as araras. Entre elas, destaca-se a Sofia, nossa verdadeira estrela de cinema, que participou do filme ‘Tainá 3’”, destaca.
Entretanto, para além de um espaço de visitação e de animais curiosos, o ZooUNAMA deixa um importante legado de sensibilização sobre a importância da conservação da fauna amazônica. Ao longo de sua jornada, o zoológico tem contribuído de forma expressiva para a pesquisa, a educação ambiental, a formação de profissionais e a recuperação de animais silvestres.
“Nosso maior legado é mostrar que é possível conciliar conhecimento, preservação e respeito à vida, formando gerações mais conscientes e comprometidas com a proteção da Amazônia e da biodiversidade”, conclui.
Confira o vídeo:
Por Isabella Cordeiro