Foto: Woltaire Masaki/MPEG

Em um ano, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) adicionou cerca de 1,5 milhão de registros digitalizados de suas coleções biológicas em plataformas de dados abertos. Além de ter acrescentado 7,9 mil itens nos acervos de zoologia e botânica, a instituição liderou 53 descobertas de espécies de animais e plantas e realizou 224 publicações científicas.

Com quase 160 anos de produção científica na Amazônia, o MPEG conquistou status próximo de excelente na última avaliação de desempenho conduzida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), órgão do Governo Federal ao qual o espaço está vinculado.

Após o cálculo dos índices de cumprimento das metas, o Museu Goeldi recebeu nota 8.53. Em virtude da sua atuação multidisciplinar, entre 16 avaliados, o instituto possui o maior número de indicadores pactuados: 23 no total.

Um dos destaques é o Índice de Uso Anual das Coleções Científicas. Apenas em 2025, foram digitalizados e disponibilizados 1.499,785 registros das coleções biológicas do MPEG. Mais da metade está no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), criado pelo MCTI com suporte técnico da ONU Meio Ambiente (Unep) e apoio financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

As coleções do instituto continuam crescendo com novos itens integrados aos acervos. Em todo o Museu, já existem mais de 4,5 milhões de itens salvaguardados em 19 coleções, incluindo dados de fósseis, plantas, animais, cerâmicas arqueológicas, objetos de povos originários, registros de línguas indígenas e outros.

Durante o ano anterior, as coleções biológicas tiveram um acréscimo de 7.964 itens inéditos, sendo 4.804 relacionados à zoologia e 3.160 vinculados à botânica. Já na área das ciências humanas, composta pela etnografia, linguística e arqueologia, foram adicionados 12 novos artigos indígenas, 200 gigabytes de áudios em línguas indígenas e 131 novos artefatos arqueológicos.

Referente às descobertas de novas espécies, na zoologia e na botânica, foram identificados e catalogados 53 achados desconhecidos pela ciência até então. Superando as 42 descobertas em 2024, os novos registros incluem: um gênero de aranha; quatro espécies de microfósseis; 18 espécies de aranhas; 19 de insetos; uma de serpentes, seis de peixes e quatro espécies de angiospermas (Myrtaceae e Cyperaceae) – plantas caracterizadas por apresentarem flores e sementes protegidas por frutos.

Em 2025, com o propósito de cumprir a missão institucional do Museu Goeldi – construir e comunicar conhecimentos sobre os ambientes, a biodiversidade e as culturas amazônicas, em benefício da qualidade de vida do planeta –, o instituto colocou em circulação 224 publicações, envolvendo artigos científicos, livros e capítulos de livros.

Além disso, 127 eventos técnico-científicos foram organizados pelo MPEG, representando mais que o dobro ocorrido em 2024, cuja soma foi de 67. Com dois programas próprios de pós-graduação, Biodiversidade e Evolução (PPGBE), implantado em 2015, e Diversidade Sociocultural (PPGDS), iniciado em 2019, o Museu Goeldi também registrou avanço na formação de pesquisadores em 2025, com 44 teses, dissertações e especializações concluídas, cinco a mais do que no ano anterior.

Referência em inovação tecnológica e na comunicação da ciência, com o objetivo de popularizar a produção da instituição, o MPEG apresenta uma grande resiliência científica, considerando a alta produtividade do instituto, embora possua um orçamento deficitário e equipe reduzida.

Entretanto, mesmo diante desse contexto, o Museu Goeldi se destacou na avaliação de desempenho também no indicador de alavancagem de recursos. O diretor Nilson Gabas Júnior comenta sobre a capacidade produtiva do espaço apesar dos desafios.

“Ainda precisamos preencher lacunas para conseguir executar mais e melhor aquilo que a gente faz, que é produzir pesquisa, comunicar conhecimento, preservar acervo, formar recursos humanos, inovar e ter imbricação com os tomadores de decisão para elaboração de políticas públicas. Isso, no nosso dia a dia, é muita coisa. Sem dúvidas, precisamos de mais orçamento e de mais gente para continuar cumprindo a nossa missão a contento”, concluiu.

Por Isabella Cordeiro, com informações da Agência Museu Goeldi