A taxa de desemprego das pessoas pretas encerrou o primeiro trimestre de 2026 em 7,6%, representando um indicador acima da média nacional (6,1%) e 55% maior que o dos brancos, que não chegou a 5% (4,9%) no mesmo período.
Esses dados compõem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada na última quinta-feira (14), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No início da série histórica da pesquisa, em 2012, o percentual de pessoas pretas desocupadas era 44,8% maior que o dos brancos. Desde então, a menor diferença observada ao longo dos anos pertence ao segundo semestre de 2021, quando era 43,6% superior.
A disparidade na taxa de desemprego sob a perspectiva da cor da pele é favorável aos brancos em relação aos pardos: a desocupação nesse grupo está em 6,8%, ou seja, 38,8% maior.
Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, essa diferença existente entre o desemprego de pretos e pardos em comparação ao dos brancos aponta para “algo estrutural” e fatores que podem ir além da cor da pele. “É necessário um estudo bem mais aprofundado, que leve em consideração diversas características e não apenas a identificação de cor ou raça”, pondera.
Além disso, a Pnad revela que pretos e pardos também se encontram em desvantagem em relação aos brancos no contexto da formalidade do emprego.
Na média nacional, a taxa de informalidade (que representa trabalhadores sem carteira, autônomos e empregadores sem CNPJ) ficou em 37,3%. Para os brancos, a informalidade foi de 32,2%; para os pardos, 41,6% e para pretos, a taxa foi de 40,8%.
Por Isabella Cordeiro