Foto: Pedro Guerreiro/Ag. Pará

Dados do Relatório Técnico Preliminar: Análise da Bioeconomia da Sociobiodiversidade no Estado do Pará revelam que o setor movimenta R$ 13,5 bilhões por ano no Pará, fomentado por cadeias produtivas vinculadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar.

O levantamento foi elaborado pela Rede Pará de Estudos sobre Contas Regionais e Bioeconomia, coordenada pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) em parceria com universidades federais do estado.

Mandioca, açaí, pescado, cacau, castanha-do-pará e óleos vegetais são produtos que constituem a base dessa economia, que é responsável pela segurança alimentar de várias famílias das populações amazônicas, possuindo um papel estratégico no desenvolvimento da região.

O estudo aponta que a mandioca lidera a produção, com cerca de R$ 7 bilhões em Valor Bruto da Prodção (VBP). Em seguida, estão a pesca e a aquicultura, com aproximadamente R$ 2,7 bilhões, e o açaí, com R$ 1,4 bilhão.

Entretanto, embora o campo apresente relevância econômica, a pesquisa evidencia desafios estruturais relacionados à formalização de algumas cadeias de produção tradicionais, além de revelar desigualdades na distribuição de renda entre elas.

No segmento da mandioca, por exemplo, apesar de possuir um volume de produção expressivo, somente cerca de R$ 10 milhões aparecem em registros fiscais, considerando que grande parte da atividade é realizada em casas de farinha comunitárias. Outro exemplo é a cadeia da castanha-do-pará, em que os coletores responsáveis pela sua extração recebem apenas 2,9% do valor final do produto.

O relatório também alerta para os impactos das mudanças do clima na bioeconomia, que tornam municípios com maior exposição aos eventos climáticos extremos e menor capacidade de adaptação mais vulneráveis. Marabá, Rondon do Pará, Santarém e Oriximiná estão entre as cidades que já apresentaram algumas dificuldades diante desse cenário.

Entre as recomendações do levantamento estão o desenvolvimento de mecanismos adaptados à realidade da economia informal, o fortalecimento de associações e cooperativas comunitárias, o incentivo ao beneficiamento e comercialização nos territórios e a integração de estratégias de adaptação climática às políticas públicas que impulsionam o setor.

Por Isabella Cordeiro